THE SORROWS
PINK, PURPLE, YELLOW, RED E CARRANCAS

 

por Roberto Iwai


Ranzinza, raivoso e freak. E eles também. Acima de tudo, o som que os integrantes do The Sorrows retiravam da infusão de R&B da British Invasion tornou-se lendário para fãs da terra da rainha, do Freakbeat, ou das garageiras em geral.

Vindos da obscura cidade de Coventry, na Inglaterra, o The Sorrows mostravam que o ar do recinto fazia muito bem. Em 1964 iniciavam a carreira e gravavam seu primeiro compacto, "I Don't Wanna Be Free". O primeiro single era uma potente pérola da invasão britânica, tendo à frente a voz rasgada de Don "Fardon" Maughn e a guitarra ensandecida de Philip Whitcher. "Come With Me", o lado b, também era outra canção de igual qualidade. Em menos de dois minutos, a banda conciliava a maravilhosa bateria de Bruce Finlay, boa composição em ritmo brincalhão, e uma imitação qualquer nota de um sósia de Pato Donald durante a faixa.

E era apenas o começo. Com esse line-up, que ainda incluia Wez Price e Philip Packham (guitarra base e baixo, respectivamente), o The Sorrows registrariam seu mais clássico álbum em 1965.

Take a Heart, o disco, traz uma banda em sua forma mais perfeita de som e composição. Sua faixa-título foi o maior sucesso do álbum, alcançando a posição 21 na parada inglesa. Escrita por Miki Dallon, também produtor da banda, foi originalmente gravada pelo The Boys Blue e lançada um pouco antes no mesmo ano por eles. A versão do The Sorrows obteve maior sucesso justamente pelo vigor musical obtido pela banda.

O disco abre com "Baby". Em maio a um poderoso riff e alucinado solo de guitarra nas mãos de Whitcher. Apenas o início no rumo para a linda e bluesy "No, No, No, No", que mostra todo o potencial de composição da banda. Existe algo de extremamente doloroso e agressivo na mistura - sonoro e letra.

A inventiva dupla Fardon e Whitcher ainda trariam mais uma pérola no decorrer do disco. "We Should Get Along Fine" é uma linda e melódica canção, cantarolando sobre miséria amorosa, e etc.

E deste ponto, o blues é dilacerado à milésima potência em que o The Sorrows adicionava em suas músicas: via "Teenage Letter", "She's Got The Action", "Let Me In" ou "Come With Me", ou já via "Don't Sing No Sad Songs To Me".

Além de Take A Heart, a banda também deixou um legado de vários ótimos compactos, e foi no decorrer da carreira modificando o line-up original. Durante a fase do disco, lançaram quatro compactos, incluindo duas músicas inéditas, "You've Got What I Want" e "Let The Live Live". Mas o compacto mais clássico do The Sorrows seria lançado um pouco depois, em 1967.

"Pink, Purple, Yellow, Red" é o último suspiro do The Sorrows dentro do que faziam de melhor: paranóicas músicas. Do tema inspirado em transmutadores de mente, multicolorido na mente, até a clássica levada de bateria, tudo soava em um misto de otimismo com atos psicopatas.

A banda chegou a fazer sucesso na Itália, tendo lançado algumas músicas vertidas para a língua no mesmo período: "Mi Si Spezza Il Cuore", "Vivi", "Verde, Rosso, Giallo, Blu" ("Take A Heart", "Baby" e "Pink, Purple, Yellow, Red", respectivamente). Também lançaram "No, No, No, No" em italiano, assim como "Sei War Mein Girl" e "Nimm Mein Herz", "We Should Get Along Fine" e "Take A Heart" em alemão.

Após 1967, o The Sorrows lançou um duvidoso disco onde priorizavam versões de sucessos, e seus últimos suspiros foram os compactos de "Hey Hey" e "Zabadak" (versão de uma música da banda Dave Dee Dozy Beaky Mick & Tich). A banda se dissolveu em 1969.

Don Fardon seguiu em carreira solo ao lado do The Soul Machine e fez relativo sucesso com "Indian Reservation", em uma versão anterior ao de Paul Revere & The Raiders, e se manteve lançando discos e singles até o final dos anos 70.


Cunhando pérolas da British Invasion, o The Sorrows lançou uma das obras mais consistentes que se tem notícia no período. Raivosos e ranzinzas, protagonizaram meteoricamente um belo registro vindo da terra da rainha.

 


 
     

 

 
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