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PLATOSSAURUS
ERECTUS
por Plato Divorak
Rock´n´ Roll
Fantazy
"Vou encontrar os caras da banda no Stravaganza. Tenho certeza que eles estarão lá. Temos que ensaiar, compor material novo, e claro, encontrar aquela pantera da Margô..." - assanhava-se em pensamento um novinho em folha, Olho de Vidro. Era meio-dia daquele sábado. O sábado do "delírio musical" dos Golden Frog... Estava estampado bem na capa da seção 2, junto a uma pequena foto do grupo. Roupas multicolorida e um ar "blasê", era o que a foto mostrava. O Daily era quase uma revista e para aparecer ali tinha que ser a última sensação ou nada. Oito da noite: Olho de Vidro acorda em sua modesta e macia cama de ferro, olha-se no espelho e imagina que seu olho vidro é o sol que fez naquela tarde. Também imagina uma ensolação com direito a variados prismas e reflexos de luz. Ele veste um modelito cinza-escuro mas investe na produção e calça umas botinas cor-de-laranja. "O Bozz (empresário famosos de bandas) vai estar lá, estamos mesmo precisando de um cara como ele para divulgar nosso último single pela Itália, Espanha, esses países todos". Convicto, bateu a porta de entrada fortemente e saiu cantarolando "She don´t wear black", a tal música. Com as mãos no bolso e o cérebro cheio de pop-art e jazz, Olho de Vidro fez o caminho inverso ao que sempre fazia antes: pegou a rua mais escura e mais estreita que havia e desceu uns 300 metros da avenida principal para pegar o expresso 139, um ônibus muito rápido e abarrotado de estudantes de teatro, gigolôs e suas "marias", imigrantes... enfm, toda uma fauna começando a se misturar nos agitos da noite. "Olha lá! É a Gina Lollobrigida!" Exclamou um quase-mendigo bêbado. Descendo perto do Elephant Pub, viu uma loja de discos e bateu aquela vontade de entrar logo e desencavar alguma relíquia. Mais adiante, rolou uma cena com marginais fazendo piruetas sob a calçada e ele teve que atravessar a rua cautelosamente. Pensou em um poema do literato H.P Wolff: "Filho pródigo/Desenterre os besourinhos enquanto o palhaço de amanhã vai a gafieira/ Você pode girar os olhinhos, um dia a terra será sua". Assim, Olho de Vidro pôde relaxar em movimento. Enquanto isso, no camarim do Stravaganza,
todo aquele ritual dos músicos estava acontecendo... Afinar o baixo
e a guitarra em uníssono, depois o teclado... o baterista enrolou
alguns esparadrapos nos pulsos e nos dedos. Apareceu o roadie, ruivo e
desdentado, escocês, e levou o Hammond até o palco. A organização
do show prometeu uma projeção de slides desbotados sobre
a banda, bailarinas do Congo africano e um filme com a Marilyn Monroe
que ficará passando, mudo, ao lado do palco.
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