FÁBIO
O SOULMAN NO ELO PERDIDO DA HISTÓRIA


 

por Roberto Iwai


Roberto Carlos acabara de gravar o clássico disco O Inimitável em 1968. Retornemos ao final dos anos 50, no bairro da Tijuca, quando Roberto e Erasmo conheciam Tim Maia, e tal encontro e troca de idéias renderia frutos e abriria portas para a música brasileira.

Entre Roberto Carlos e Tim Maia, que faria sua estréia em disco mais tarde em 1970, um outro rapaz se criava por entre os encantos do soul e pela não menos importante influência de Tim ao cruzar-lhe o seu caminho.

Fábio, natural Juan Senon Rolón, foi um dos pioneiros da soul music brasileira ao lado de Roberto Carlos. Primeiro conhecido como Juancito entre os colegas da música, veio da fronteira do atual Mato Grosso do Sul com o Paraguai para São Paulo em 1966, onde conhece Tim Maia.

Todo o encanto de intérprete soul que Tim carregava converteu o rapaz, que mudou radicalmente seu estilo musical para aquele que presenciava, através de Maia, naquele momento. A partir daí migra para o Rio de Janeiro, conhece Carlos Imperial, e já com o nome mudado para Fábio, grava a canção viva no imaginário multicolor dos fãs da obscura música brasileira: a ode "Lindo Sonho Delirante", em 1967.

Em seguida, lança outro compacto, com as músicas "A Cidade Sem Você" e "Tributo a James Dean", que seriam incluídas no primeiro disco do cantor, lançado em 69.

Clássico do sacolejo, entre baladas soul que caminham por orquestrações climáticas e toques lisérgicos, onde belos emaranhados de instrumentos de corda e sopro se mesclam por entre barulhos de despertadores, cidade e tortuosos arranjos, a voz de Fábio, com um leve sotaque paraguaio mesclando-se por entre talento vocal e um fino lirismo, segue capitaneando tudo. Intercalados por grandes balanços irresistíveis no decorrer.

Músicas como "Uma Canção, Eu e Você", as citadas "Tributo a James Dean" e a emocionante "A Cidade Sem Você" registram o tom e clima. A última, pérola perdida, com belo arranjo e bela letra, canta "eu não quero nem saber/da cidade sem você/desencontro de você/eu nem quero saber", em uma moldura black de arrebatar corações.


O disco (1969)

Balanços irresistíveis também estão presentes, caso de "Não Vá", "Não Vai Ser Fácil Te Esquecer" e a perfeita "Em Busca das Canções Perdidas", que levanta qualquer mortal, e fez até com que Erasmo Carlos inserisse a "Em Busca das Canções Perdidas no.2", em seu disco Carlos, Erasmo..., em 1971.

Em disco e fora dele, seu parceiro mais assíduo nas composições era Paulo Imperial, irmão de Carlos. Seguindo o seu legado de boas canções, além da já citada canção de Erasmo Carlos, Fábio também emplacou ao lado de Paulo duas canções no segundo disco psicodélico de Vanusa, no mesmo ano de 69: "Meu Depoimento" e "Teu Regresso".

Vanusa essa, que ganhara uma canção como homenagem, chamada "Prelúdio Para Os Olhos de Vanusa", que integra o disco de Fábio. Junto com Carlos Imperial, o cantor também escreve para a cantora a canção "Só Você", no ano anterior.

E em 1970, Fábio emplaca uma composição no disco de estréia do exigente Tim Maia, a música "Risos". Dividiria com o mesmo Tim, além da moradia no apartamento, a composição de "Até Parece Que Foi Sonho" e "Velho Camarada", no final dos anos 70.

Entre 67 e 70, onde a história se abre e se entrelaça entre Tim Maia, Roberto e Erasmo Carlos e os irmãos Imperial, Fábio registra um dos primeiros caminhos para a soul music brasileira, onde essa ainda apenas começava. Deixando um punhado de ótimas canções e um grande disco, Fábio colabora para o que mais tarde se explodiria em grandes frutos via Erasmo Carlos, o próprio Tim Maia, Toni Tornado, Erlon Chaves e a consagração popular da soul music no festivais de música na década de 70.



 
     

 

 
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