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THE CHARTS
por Roberto Iwai Setas apontadas para o céu.
E para frente sempre. Nas reflexões que nos causa a paisagem e
as melodias das canções, o lançamento de São
Paulo em PB, segundo disco dos The Charts, nos faz mover para
uma única direção.
Gravado em sessões ocorridas em 98 e 99, Flávio Telles e Sandro Garcia retomam o que em 1996 culminou no clássico Carbônicos, a incendiária estréia da mais significativa banda paulistana que já existiu. Que conseguiu como ninguém expressar as urgências, sonoridades e sentimentos dessa cidade. Neste segundo trabalho, a fina poesia de Flávio Telles continua tão acesa quanto nunca, firmando-se como um dos mais inspirados compositores que esse país já teve. Desferindo acolhedoras canções que nos fazem, mais do que nunca, nos perder em pensamentos sobre o que vamos vendo, e que sabemos cada vez mais, cada vez menos. Vivendo. E sempre buscando saber. Em músicas como "Canção do Vento" e "Tempos de Nada", Telles expressa perfeitamente o que muitas vezes qualquer tentativa desavisada acaba soando patética ("Que a vida joga com você/Isso nós já sabemos/A gente só não consegue esperar/Poder voar mais alto que um avião/Sair catando ventos pelas marginais"). "Procuro estar atento/ao que pode me mover/Procuro estar distante/Do que é só pose", canta fotogramas intensos demais para se mover em uma única velocidade. Rápida e em slow motion de momento, em movimento de uma mente que sabe. São Paulo em PB traz as primeiras composições de Sandro Garcia dentro do The Charts. Sandro canta sobre Arthur Lee, Rua Mourato Coelho e a frágil e surreal estrutura de moradia em "A Casa e o Jardim", enquanto a banda mergulha nessa e nos elementos pictórios do primeiro registro da mais bela síntese da visão urbana paulistana: a cinematográfica "Outra Cidade" (futuramente registrada com o Momento 68, em sua segunda fase). O instrumental incendiário do trio reside também nas três explosivas covers que fazem parte do disco. O clássico de Eddie Holland "Leaving Here" figura entre o modo em que The High Numbers e The Birds encararam nos anos 60 tal canção, enquanto a conhecida psicodelia de "Incense and Peppermints" (do Strawberry Alarm Clock) aparece em versão mod, como se nascida e exclusivamente pertencente à energia e fervor da roupagem da banda. Mas é em "Shake" que o The Charts potencializa todos os elementos marcantes em seu som: dos vocais dobrados de Telles e Sandro à fabulosa bateria de Fábio Barbosa, repleta de viradas e momentos ensandecidos, passando pela sempre criativa e urgente guitarra de Flávio Telles. São Paulo em PB nos transporta para um caminho que não tem final, que sempre tem continuidade. Ao olhar avante para os ruídos e cidade, está em casa. E caminha. Ouça bem, não pare de pensar.
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