BEACHWOOD SPARKS
DISSOLVENDO OS ARES DA CALIFÓRNIA

 

por Roberto Iwai



Há realmente faíscas e ah, a sensação de uma Califórnia levemente envolta por areias em onda, vento no rosto, encoberta por um sol brando, lisérgico e viajante. E também co-existindo com o oposto. São essas as sensações latentes no country-rock do Beachwood Sparks.

Ambientando seu som e sua estética visual nas influências sessentistas dos nomes mais conhecidos do gênero como The Byrds, e por ligação o The Flying Burrito Brothers, a banda - formada por Aaron Sperake, Brent Rademaker, Chris Gunst e Dave Scher - ainda mescla na paisagem ambiental toques dos pensamentos sonoros de Brian Wilson, dos conterrâneos dos Beach Boys.

Lançando seu primeiro single em 1998 pelo lendário selo Bomp!, a viajante e ríspida "Desert Skies" já adentra o universo lisérgico e interliga-se com o lançamento do homônimo disco de estréia, em 2000.

Altamente embebidos na psicodelia característica do gênero, dos vocais sinuosos de Chris Gunst à guitarra lap steel de Dave Scher, nada aqui é completamente comum. A banda se afunda e colide nos ares áridos de uma Califórnia florida, distorcendo as praias em campos paradisíacos, cantando ares de felicidade marcados por uma conturbada sensação volátil.

Sempre pontuado e pontuando efeitos e timbres lisérgicos, faixas como a já citada "Desert Skies", "This Is What It Feels Like" (em meio a harmonias vocais e alegres pá-pá-pás), "The Calming Seas" e "Something I Don't Recognize" se iniciam como grandes e inspiradas canções até seguirem inspecionando um universo paralelo, onde banda e som saem em caminhos diversos até retornarem ao seu estado de origem.

Seguindo em California fazendo nublar, Once We Were Trees - o segundo disco da banda - te joga em uma densa e escura floresta, cheia de altas árvores e esparsos raios de sol por entre as copas, para aos poucos ir se abrindo a alguma tranqüila casa de campo.

Abrindo o disco com "Confusion Is Nothing New", nota-se no decorrer que a banda lapidou seu alto teor psicodélico do disco de estréia e transformou a experiência em festeiro alucinado ("You Take The Gold", "Juggler's Revenge", "Yer Selfish Ways") e momentos de reflexão ("Close Your Eyes", "The Good Night Whistle", "Let It Run"), não sem antes cunhar a sua mais perfeita tradução de canção, a linda "The Sun Surrounds Me" ("Well, if this is where our love has gone/Then baby, we gotta talk about it/The sun surrounds me/And all I'm singing are the dark times/I'm telling you lover/So we can see through").

Por enquanto Once We Were Trees segue como o disco mais recente da banda. Atualmente alguns membros se dedicam a projetos e bandas paralelas, e o Beachwood Sparks se mantém em pausa. Mas seguindo o legado de algumas boas bandas sessentistas: terão curta, porém inspirada trajetória.


 
     

 

 
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