RAY DAVIES
RAY DAVIES EM NOITE DE GALA NO FAMOSO ROYAL ALBERT HALL


por Rafael Pesce
rafael_zoso@hotmail.com

 

"Eu não mudei muito, vocês sabem", com essas palavras o ex-Kinks Ray Davies, 61 anos, fez o lotado Royal Albert Hall explodir em gargalhadas enquanto dançava de um lado para o outro como um jovem garoto. Momentos como o descrito acima fizeram a alegria dos fãs que prestigiaram o emocionante show do eterno Kinks no dia 28 de setembro em Londres.


Royal Albert Hall

O concerto iniciou pontualmente às 20:30, enquanto no meio de aplausos e gritos eufóricos Ray Davies entra no palco vestindo uma singela calça jeans e camiseta vermelha (seria uma homenagem ao seu time Arsenal?). A primeira canção da noite foi o b-side "I'm Not Like Everybody Else", uma música que vem abrindo todos os shows que Ray Davies tem realizado para divulgar seu novo EP The Tourist. O último sucesso comercial dos Kinks, "Come Dancing", foi a próxima música do set list, seguida pelas clássicas "Till The End Of The Day" e "Where Have All The Good Times Gone".

Na continuação do show o músico mostrou aos fãs duas músicas novas, "After The Fall" e a estranha "Yours Truly Confused N10", que mostra uma influência latina não usada por Ray em seus trabalhos anteriores. Enquanto o público ainda aplaudia a última canção, um momento que viria a acontecer muitas vezes durante o show tem inicio: A competente banda de apoio deixa o palco enquanto Ray Davies encanta a platéia com uma versão acústica de "Well Respected Man" (cantada por boa parte do publico). Com a banda de volta a ação, "20th Century Man" e "Oklahoma USA" (presentes na ultima obra-prima dos Kinks "Muswell Hillbillies") entraram no repertório.

De volta ao set acústico, o eterno Kinks proporcionou um dos momentos mais emocionantes da noite quando tocou 4 musicas do injustiçado álbum The Kinks Are The Village Green Preservation Society. "Village Green", "Picture Book", "Animal Farm" e Johnny Thunders" fizeram jus a genialidade do incompreendido disco. Para encerrar a primeira parte do show, Ray Davies tocou "Sunny Afternoon" (música tema da conquista inglesa da copa de 1966), cantada quase unicamente pela platéia. "Dead End Street" terminou a eletrizante primeira parte do concerto.

Após 20 minutos, Ray Davies voltou ao palco disposto a mostrar aos fãs o que se passa na galáxia Davies atualmente. Três musicas novas seguiram o show, incluindo a excelente "The Tourist", estendida em um jam de quase 10 minutos. Após a nova canção, um inglês bêbado que estava interrompendo o show com pedidos de mais rock and roll foi devidamente silenciado por Ray . "Você é o cara que costumava importunar o Bob Dylan", foi uma das respostas que fizeram a platéia rir. Com Ray Davies sozinho no palco novamente, as engraçadas "Two Sisters" (paródia da relação entre os irmãos Davies) e "Dedicated Follower Of Fashion" (sátira à famosa Carnaby Street) fizeram a alegria do publico.

Para encerrar mais um set acústico, "Autumn Almanac", "I Go To Sleep" e a linda "Days", que após as palmas foi finalizada com a banda de volta ao palco. "Minha nova banda é ótima, mas eu nunca vou esquecer minha velha banda, eles são parte da minha vida…e morte, e aqui está um tributo para eles", com essas palavras, e quase chorando, Ray Davies introduziu as próximas musicas do set: "Tired Of Waiting For You", "Set Me Free", "All Day And All The Night" e a preferida "Lola", cantada por todos novamente, encerraram o suposto fim de noite.

Depois de alguns minutos de suspense, Ray Davies e banda voltaram ao palco para darem inicio ao bis com uma das mais brilhantes músicas pop de todos os tempos, "Waterloo Sunset", uma canção que literalmente arrepiou os presentes. "A introdução dessa música virou o mundo de cabeça para baixo", declarou Ray. A próxima canção só poderia ser "You Really Got Me", tocada com um começo Blues mas finalizada com toda a forca que o hit ainda possui. Enquanto a maioria pensava que o fim estava próximo, e alguns já pensavam em abandonar seus assentos, Ray Davies encerrou o concerto com a apoteótica "David Watts", executada em uma versão mais parecida com a do The Jam do que a original.

Parece que Ray Davies realmente não mudou tanto assim, foi o que puderam perceber as pessoas que presenciaram mais um dia mágico na carreira de um dos melhores compositores de nossa época, e a constatar pelas novas canções, o músico tem um caminho proveitoso a sua frente.


 
     

 

 
  2006. Freakium! e-zine. Todos os direitos reservados.