EXPLOSÃO PLÁSTICA INEVITÁVEL


 

por Patrícia Fróes
patfmalta@hotmail.com

 

O DONO DA BOLA

 


Assisti ao último filme do Godard. Novo filme do Godard. Velho filme do Godard. Especialmente velho quando visto no Paissandu, sentada no chão como meu pai, ou como o pai de quem estava ao lado. Confesso ter deixado meu senso crítico do lado de fora, ou no dia anterior, nao sei bem ao certo...sei apenas que ciente de todo o cinismo que me aguardava, fiz questão de chegar ali desarmada.

Em 20 minutos, Godard deixa claro que tudo aquilo é encenação, pura mentira. É aí que realizo a idéia do experimental como um mero projeto estético avançado, onde se elimina "o que é" para se vislumbrar "o que será", que torna, da forma mais mansa do mundo, o cinema numa arte menor. Mesmo ali, diante do maior cinema do mundo.

O efeito sempre foi (e se tudo der certo, sempre será) o de um tombo. No primeiro dia de aula.
Você pensa ser razoável, orgulha-se da sua sincera admiração pela Nouvelle Vague, e na primeira oportunidade, aquele velho ri de você, na frente de um cinema lotado.

Nossa Música é um filme particularmente doce (coisas da idade), divido em três partes: inferno, purgatório e paraíso. Pensa que é a sua hora de rir do tal? Pelo contrário, depois de assisti-lo, a impressão que dá é que tal estrutura nunca fora utilizada antes, pelo menos não como deveria. O Inferno é cruel, o purgatório, um pouquinho mais gentil e no fim, Godard salva nossa vida. O paraíso é verde. †em um rio, uma maçã, um marinheiro. Senti falta apenas de uma música do Roberto.

Um outro cinema. Outra coisa. independente até dos independentes, rebelde entre os rebeldes. Convicção de que o cinema é uma arte secreta. John Lennon disse uma vez: pense Globalmente, atue localmente. Adoraria passar um revéillon com os dois, se possível, ao som do Roberto.



 
     

 

 
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