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JACQUES
DUTRONC S/T [Vogue, 1966]
por Renato de Souza zinesentidohorario.weblogger.terra.com.br
Jacques Dutronc, que já havia sido guitarrista do El Toro & the Cyclones, foi recrutado para fazer parte do time da Vogue, fazendo arranjos para diversos artistas (incluindo Françoise Hardy, que mais tarde se tornaria sua esposa). Num certo dia, Jacques Wolfsohn (diretor artístico) e Dutronc encontraram Antoine no elevador. Com o egocentrismo a toda, este agiu com um certo "estrelismo" e rudeza perante Wolfsohn e Dutronc. Com o incidente, este passou então a ter uma grande antipatia por Antoine, e o outro, com poderes bem maiores nas mãos, acabou o mandando embora da Vogue. Sem um de seus maiores artistas no set, Wolfsohn acabou vendo em Dutronc um grande potencial: Este era ao mesmo tempo rebelde e carismático, tinha um visual cool, sempre com seu cigarro e paletó de três botões, e além de tudo, estava bastante contente com seu trabalho como compositor. Assim, Jacques Dutronc teve a chance de gravar seu primeiro álbum como artista principal (que saiu com o título homônimo), começando então uma carreira musical interessante (mais tarde, dividida com o cinema). O carro chefe deste debut de fica por
conta de "Et Moi, Et Moi, Et Moi", uma sutil paródia
às canções narcisistas de Antoine (dizem que ao
ouvirem a música pela primeira vez, muitos imaginavam se tratar
de um novo single deste...). O resto da obra também é
bastante interessante, podendo esta ser considerada como um excelente
disco de rock. "Les Playboys" é a primeira faixa, e
consiste numa canção pop com refrão bem acessível.
"Sur Une Nappe De Restaurant" é rock de garagem na
sua forma mais pura, com um bom riff de quatro acordes. "Les Cactus"
é um groove com um baixo bem marcante, e que com toda certeza
devia animar as pistas dos go-go clubs da época. Dentre outras
boas músicas, a dobradinha "La Fille Du Pére Noël"
e "Les Gens Sont Fous", "Les Temps Sont Flous" merecem
um bom destaque por abusarem das distorções e terem uma
sonoridade bastante Kinks. Aliás, do mesmo modo que Ray Davies
era um excelente poeta e crítico mordaz da sociedade inglesa,
Dutronc era da francesa - é bastante notável a convergência
da obra de ambos - com poesias urbanas e críticas sociais, sem
nunca perder o apelo pop.
Não são muitos os que tiveram o prazer de conhecer, mas certamente aqueles que se interessam pelos artistas inovadores dos anos 60 (Who, Kinks, Small Faces, garage bands do mundo todo, etc) se entusiasmarão bastante ao ouvirem o debut de Jacques Dutronc.
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