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CINEMA FANTÁSTICO
por Leonardo Bomfim
O evento, produzido pelo Clube de Cinema
de Porto Alegre, apresentou 26 filmes, exibidos na Casa de Cultura
Mário Quintana e na sala P.F. Gastal. Segundo Davi
de Oliveira, um dos programadores do festival, a idéia surgiu
quando se a observou a falta de espaço para filmes voltados ao
cinema fantástico, tendo como referência os festivais Fantasia,
no Canadá, e o Fantasporto, em Portugal. "São
festivais que estimulam a produção contínua de
filmes dos gêneros", afirmou. Valorizando a produção
nacional, foram apresentados diversos curtas do gênero, como o
hilário Crônicas de um Zumbi Adolescente
(2003) de André ZP.
Fantásticos ao pé da letra, dois dos filmes exibidos resumiram a idéia principal do Festival: Santa Sangre (1989), do cultuado diretor chileno Alejandro Jodorowsky, que apresenta aberrações circenses, cenas surreais de deficientes mentais cheirando cocaína, fanatismo religioso e toda a relação estranha do protagonista com sua mãe, temas recorrentes em quase todos os seus filmes; e Suspiria (1977), do clássico Dario Argento, que narra a história de uma falsa academia de danças governada por velhas bruxas. O grande toque fantástico do filme é a forma sonhadora de como as cores são apresentadas, capazes de saltarem aos olhos do espectador à frente mesmo do próprio enredo. Um filme de beleza singular.
Além de Suspiria, outras pérolas do horror italiano foram apresentadas, entre elas o sanguinário The Beyond (1981), de Lucio Fulci e o artístico La Casa Dalle Finestre Che Ridono (1976), de Pupi Avati, que comprovaram uma característica marcante dos filmes locais: final feliz realmente não é coisa de italiano! Partindo para o oriente, a fantasia japonesa também teve seu espaço, destacando The Legend of Zu (1973), de Tsui Hark. Sintetizando o evento, David de Oliveira afirma que a excelente seleção dos filmes, somada à grande aceitação do público foram os pontos positivos da primeira edição.
Davi de Oliveira entende que a grande graça do cinema fantástico é exatamente o rompimento com as regras do cinema convencional. "Por ser, em sua maioria, filmes b, o cinema fantástico possui maior liberdade para articulação de formas criativas, menos convencionais, além da fotografia, o som e a montagem, afastando-se do cinema como irmão da literatura", explica. O programador ainda finalizou: "são esses filmes que abrem as portas para as novidades". O 1o Festival de Cinema Fantástico
de Porto Alegre fez a sua parte e abriu as portas para os fãs
do gênero e curiosos de plantão. É difícil
presenciar nos dias de hoje um evento de cinema que apresente tanta
gente espetacular como Mario Bava, George A Romero, Klaus Kinski, Werner
Herzog, David Cronemberg, Christopher Lee, além dos já
comentados. Agora é só aguardar outubro de 2006, período
previsto para a segunda invasão do Cinema Fantástico pelo
centro da cidade. Os zumbis de Porto Alegre agradecem.
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