|
|
THE BYRDS O VÔO MAIS ALTO DOS BYRDS
If your time to you is
worth savin' Os tempos realmente estavam mudando durante a década de 60, e tudo com uma rapidez impressionante. Havia várias revoluções por minuto, no cinema, artes plásticas, música, no comportamento, no sexo, nas mulheres... O poeta Dylan ainda sentenciou: "quem não começar a nadar, afundará feito uma pedra". Considerando apenas a música, cinco franjas americanas não se cansaram de nadar, mantendo-se assim no topo das revoluções sixties (atrás apenas das quatro franjas de liverpool). Eram os Byrds, grupo que em menos de meia década conseguiu criar três sonoridades que viraram o mundo de cabeça pra baixo e até hoje influenciam muita gente. A primeira revolução dos Byrds foi a criação do Folk-Rock, colocando lado a lado a poesia de Dylan com as melodias e vozes dos Beatles. Os dois primeiros discos, Mr. Tambourine Man e Turn Turn Turn, ambos de 1965, são os clássicos eternos do gênero. Em 1968, os californianos também inauguraram um novo estilo, com o fantástico disco Sweetheart of Rodeo, resultado da aproximação com música country (sem esquecer do rock e da psicodelia) e das diversas mudanças na formação. O álbum foi o marco-zero do chamado Country-Rock. No entanto, o que nos interessa aqui é a segunda revolução da banda, que aconteceu em março de 1966, com lançamento do single Eight Miles High/Why, que inclui as primeiras canções - reconhecidamente - psicodélicas dentro do mundo pop. O novo som dos Byrds confirmou-se em julho, mês em que Fifth Dimension chegou às lojas.
"Eight Miles High" nasceu com a idéia inicial de Gene Clark, durante um papo com Brian Jones em sua primeira tour em Londres. Os Byrds estavam impressionado com a atraente cidade e suas luzes, arquitetura, chuva e até os mods... Todas as novidades entraram na poesia de Clark. O fato é que ninguém acreditou muito, já que a expressão "high" também indicava algo mais viajante. A canção chegou a ser banida em muitas rádios dos Estados Unidos, que alegaram clara apologia ao uso de drogas. Polêmicas à parte, musicalmente "Eight Miles High" elevou os Byrds ao topo da vanguarda musical dos 60´s, com seu arranjo jazzy, aliado à pegada certeira da cozinha e ao arranjo vocal fantasmagórico. Mais tarde, McGuinn creditou as inovações da canção a dois músicos: Rod Argent, organista dos Zombies, pelos breaks jazzísticos, e John Coltrane, assumindo tentar copiá-lo nos solos de sua Rickenbacker 12 cordas.
Já "Why", simpática pop-song de Crosby e McGuinn , além de refrão chiclete, traz guitarras emulando o som de cítara. Vale lembrar que foram os Byrds que apresentaram o instrumento indiano aos Beatles, em 1965, durante algumas festinhas em L.A regadas a LSD e Ravi Shankar. Com o lançamento do polêmico single, os Byrds prepararam terreno para o disco, mas infelizmente tiverem uma baixa durante as gravações: a saída mal explicada de Gene Clark. Diz a lenda que o maior motivo foi o seu terrível medo de avião. Jim McGuinn até teria dito: "se você tem medo de voar, não pode ser um Byrd!". Curiosamente, a última composição de Clark no grupo foi a "aérea" Eight Miles High. Sem o principal cantor e compositor, tudo ficou nas mãos de Crosby e McGuinn, e os dois não decepcionaram. À frente dos Byrds, a dupla (ao lado de Chris Hillman- baixo e voz- e Michael Clarke- bateria-) finalizou e lançou Fifth Dimension. Lado A "Apenas relaxe e preste atenção", pede McGuinn em "5D", música de abertura do disco, com melodia marcante e arranjo sofisticado. A participação do pirado Van Dyke Parks (que pouco depois começaria a compor com Brian Wilson o ex-frustrado Smile) tocando órgão incrementa ainda mais a canção, baseada no livro 1-2-3-4, More, More, More, More de Don Landys e na famosa teoria da relatividade de Einstein. Continuando a sessão relax, a banda emenda a harmoniosa Wild Mountain Thyme, canção tradicional americana interpretada magistralmente com o trio de vozes, completado por Chris Hillman, substituindo Gene Clark. Um detalhe interessante é a presença de cordas, nunca utilizadas anteriormente pelo grupo.
Lado B O lado B abre com o clássico já
comentado "Eight Miles High". O tamanho êxito do single
levou a banda a colocar a canção também no disco,
sendo a única com assinatura de Gene Clark no Fifth Dimension.
No álbum, a versão não foi editada, trazendo na
íntegra o fantástico solo de McGuinn, soando como o saxofone
de Coltrane. Apesar de não repetir o sucesso
absoluto dos dois discos anteriores, Fifth Dimension manteve
os Byrds nas paradas. No entanto, sua verdadeira importância deve-se
ao pioneirismo dos arranjos, com inéditas misturas de jazz, música
oriental e soul com folk-rock, sendo reconhecido até hoje como
um dos precursores do psicodelismo. Meses depois, os Byrds entrariam
de vez para o primeiro time das bandas sixties, com o lançamento
do aguardado e não menos espetacular Younger Than Yesterday.
Também em 1967, o grupo participou do Monterey Pop Festival,
como a grande estrela do evento. Mas aí já são
outras histórias, outras canções e outros momentos
que, assim como Fifth Dimension, marcaram a história da
música pop.
|
|||||
| 2006. Freakium! e-zine. Todos os direitos reservados. | ||