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BROADCAST
por Leonardo Bomfim
O grupo está na ativa desde 95, quando começou a tocar em bares de Birmingham e chegou a gravar alguns singles. O motivo da demora para o lançamento do primeiro disco foi a produção impecável. A banda ficou três anos no estúdio experimentando bastante, e o resultado foi uma qualidade incrível nos arranjos, com direito a diversos ruídos e efeitos, mantendo o clímax durante todo disco. "Long Was The Year", a primeira
canção, já leva o ouvinte à outra galáxia,
com atmosfera espacial aliada à linda voz de Kenan, filha não
assumida de Astrud Gilberto com o computador Hal 9000. A viagem segue
com mais canções climáticas ("Unchanging Window",
"Echo's Answer" e "Until Then"). O cool do Broadcast
é a sua psicodelia autoral, promovendo o inusitado encontro da
sonoridade retrô com timbres futuristas.
Algumas canções ainda se destacam além do experimentalismo, com melodias mais pop e refrões que perigam trazer o ouvinte de volta para casa. "Look Outside" e "You Can Fall" remetem a um Syd Barrett menos cru, enquanto "Come On Let's Go", com sua levada empolgante, é capaz de tentar astronautas a arriscarem passinhos de dança. Já "Papercuts", o hit do disco, tem uma irresistível base "Burt Bacharach banhado em ácido". Vale a pena procurar na internet o clipe da canção, com Trish Kenan soltando a voz em meio a light-shows psicodélicos. Apesar de muita gente insistir que o Broadcast é um grupo eletrônico (caminho que os caras realmente trilharam depois do Noise), as cores e os timbres da estréia não nos engana. É uma obra-prima psicodélica. Há elementos eletrônicos e até sintetizadores recheando as canções, mas nada que o United States of America (grande banda sixtie, pioneira no encontro do som eletrônico com a psicodelia), não aprovaria. Depois de 5 anos, Broadcast lançou
mais dois discos, sem repetir o êxito de The Noise Made By
The People, um dos momentos mais viajantes da música pop,
apresentando passado e futuro lado a lado. Sons que só aparecem
uma vez ou outra em nossa galáxia.
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