THE YARDBIRDS
VIAGEM AOS SIXTIES COM YARBIRDS EM LONDRES


por Rafael Pesce
rafael_zoso@hotmail.com

Londres, sexta-feira, 1 de julho. A noite é agradável na movimentada Oxford Street, localizada no coração londrino. No centro da famosa rua, o 100 Club se prepara para receber o reformulado Yardbirds. O clube, inaugurado no final da década de 40, originalmente recebia apenas bandas de Jazz, porém com a Swingin London em plena efervescência nos anos 60, abriu suas portas para o rock n roll. Em sua época áurea, o 100 Club recebia com frequência artistas como The Who, Kinks, Geno Washington, Rod Stewart, Small Faces, os próprios Yardbirds e muitas outras figurinhas carimbadas do cenário Londrino. A lista completa dos músicos que já tocaram no lugar era exibida com orgulho na escada que dava acesso ao palco.


Peter & Rafael Pesce

Antes do show tive o prazer de conhecer Peter, um veterano quando o assunto é 100 Club (freqüenta desde os anos 60). Com um sorriso no rosto o Inglês contou um pouco da emoção que ele sente a cada show no histórico lugar e gentilmente me convidou para assistir a apresentação com ele e seus amigos. Com o convite aceito e o clube praticamente lotado a banda de abertura, Smashing Time, pôde realizar um bom show com o seu Ska Mod.


100 Club

Platéia aquecida, corações batendo mais forte e o momento dos Yardbirds entrarem no palco finalmente havia chegado. O grupo, que revelou nada mais nada menos que Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page para o mundo da música está com uma formação bem diferente da original. Chris Dreja (Guitarra e vocais) e Jim McCarty (Bateria) são os únicos membros originais da banda. Para os lugares vagos, os remanescentes recrutaram o veterano guitarrista Jerry Donahue (que estava tocando com o Fairport Convention), John Idan (um antigo fã da banda que assumiu o baixo e vocais) e Alan Glen (um requisitado músico de estúdio quando o assunto é harmônica).

Relembrando a antológica cena do clássico filme Blow-Up (do diretor Michaelangelo Antonioni), a banda abriu o show com "Stroll On". Com uma postura explosiva no palco, o grupo mostrou que não estava para brincadeira e deliciou o público com outro clássico, "Shape of Things". A vitalidade da banda era surpreendente, Alan Glen lembrava muito o falecido Keith Half tocando sua harmônica, enquanto os outros músicos tocavam as canções como se estivessem há 40 anos. Em seguida os fãs puderam apreciar uma sequência de hits, incluindo "For Your Love", "The Nazz Are Blue", "I m a Man" e "Happening Ten Years Ago".


O show deu uma caída quando duas músicas do último álbum de estúdio (Birdland - 2003) entraram no repertório. Para levantar o público novamente, a melhor canção da noite, "Heart Full Of Soul", tocada com maestria pela banda em um final incendiário. Enquanto a banda deixava o palco com a sensação de dever cumprido, os fãs aplaudiam de pé o belo concerto. Os Yardbirds provaram que ainda têm gás para tocar por muitos anos, e apesar dos "desfalques", a capacidade de emocionar e encantar platéias continua a mesma de quatro décadas atrás.


 
     

 

 
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