THE CORAL
The Invisible Invasion
(2005, Sony/BMG)

por Ricardo Schott
futurenowzine@yahoo.com.br

The Invisible Invasion, disco novo da banda britânica The Coral, saiu na Grâ-Bretanha no finalzinho de maio e periga já estar rodando pelas lojas do país a essas alturas, já que a Sony/BMG editou todo o catálogo da banda no Brasil, recentemente. Nightfreaks and the sons of Becker (o título é uma piada com o tenista Boris Becker), álbum anterior do grupo, se comparado a Invisible invasion, soa como um aperitivo, já que era um disco mínimo, com onze faixas em 28 minutos - era apenas um disquinho que a banda lançava enquanto trabalhava em seu verdadeiro quarto CD.

O novo álbum supera tudo que a banda já havia feito em discos anteriores, com uma sonoridade que une rock dos anos 60/70, psicodelia, country, folk e até power pop (confira a belíssima "In the morning", o primeiro - e muito bem escolhido - single do CD, animado por palminhas). O desleixo de Nightfreaks... ficou para trás, em nome de uma qualidade sonora pesada (valorizando a gravação de bateria, "abafada", como em álbuns dos anos 60 e 70), com bons solos de guitarra, melodias e vocais muito bem trabalhados. Em vários momentos, soa como uma grande revisitação do pop dos anos 60, pelo viés de alguém que não ficou imune a Paul Weller solo (o ex-Jam baixa em algumas canções da banda, às vezes), a Teenage Fanclub e a vários outros artistas que também ficam de olho (e ouvido) comprido em sons velhos.

Entre os momentos mais luminosos do álbum, destacam-se belas canções como a estradeira "Leaving today" (com a mesma energia beat-country que brotava de Roy Orbison e de várias músicas dos Beatles - e que foi copiada pelos Pixies em músicas como "Dead"), o peso lisérgico de "Arabian sands" (inspirada em um quadro de Salvador Dali, e , pelo que dá para perceber, também apresentando raízes em "You really got me", dos Kinks). "Late afternoon", que encerra o disco, é um quase-bolerinho, tranqüilo e romântico, uma faceta serena para um disco cujo início se deu com a ruidosa e agitada "She sings the mourning" e com o hard rock preciso, de um refrão quase Beatle, de "Cripples crown". Até aí, já deve ter dado para perceber que um dos grandes segredos do Coral é impressionar o ouvinte com técnicas de mixagem que escondem fraseados de guitarra no eco e deixam transparecer riffs hipnóticos de teclados - algo que se torna uma constante em todo o disco e dá um acabamento psicodélico até às faixas mais calminhas. Tem Byrds, Beach Boys e Beatles - mas também tem Zombies e Doors inspirando o disco quase todo.

Daí para a frente tem country-rock em "So long ago" (poderia virar uma canção dos Kings of Leon, se tivesse mais distorção), as viradas mágicas de órgão da abertura de "The operator", o som quase espacial de "A warning to the curious" (outro bolerinho, dessa vez trazendo uma curiosa mistura de melodia docinha, refrão belo e vocais apocalípticos, dando uma sensação de Pet sounds), a levadinha de "Something inside of me", lembrando "London calling", do Clash, etc. Tudo muito bem feito e bem acabado, dividido em 12 faixas de fato "novas e refrescantes", como já havia adiantado o vocalista e guitarrista James Skelly em um papo publicado na Billboard. Quem conhece o Coral de outros discos vai ficar bem feliz. E é uma boa opção para conhecer o universo do grupo.


 
     

 

 
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