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RENATO
& SEUS BLUE CAPS EU QUERO TWIST!
por Roberto Iwai A história da música brasileira e da Jovem Guarda aponta Renato e Seus Blue Caps como a maior banda oriunda do movimento e da década de 60 brasileira. Sua carreira de êxitos beat e reverência aos Beatles os tornaram, até hoje, o sinônimo do quarteto britânico no Brasil. Atualmente, foi lançado um box-set da banda contendo dezesseis cd's, e abrangendo a metade da década de 60 até a década de 80, época em que a fama e sucesso de Renato Barros e companhia se manteve intacto e incontestável. Mas muito antes de Renato e Seus Blue Caps empregarem o seu talento para sucessos ganchudos, seus ternos e fuzz que extrapolavam o imaginário do hit parade da época, em 1961 a banda registrava, ainda com Erasmo Carlos na formação, seu mais clássico e obscuro disco de carreira, nada tendo a ver com a explosão beatlemaníaca, vinda anos depois. Em sua primeira incursão pelos registros em long play completo, Renato e Seus Blue Caps lançavam no início dos anos 60 o disco Twist, tema que condizia com a moda e com a maioria das bandas nesse ano cujo alicerce fosse bateria, guitarra e baixo. Mas o que torna esse disco um clássico do estilo é a forma peculiar de como a banda tratou a moda na época. Formada por doze canções, sendo três delas temas instrumentais, o disco conta com a participação de dois vocais um tanto quanto especiais, em seu sentido máximo: Reynaldo Rayol (irmão de Agnaldo Rayol), e Cleide Alves, uma linda cantora de linda voz. Além das vocalizações, nenhum membro da banda ainda assumia o vocal principal. Reynaldo Rayol imprimia em sua voz uma particularidade comum dos cantores da época: a da voz imposta, classuda e um tanto clássica no meio rock. O que destacava mesmo Rayol do restante dos sucessos twist da época eram realmente as composições que interpretava. Abre o disco com "The Peppermint Twist", passando por "Sinal Ocupado", e fecha o disco com "Bonequinha", que já era um bom tema escrito por Renato Barros. O caso de Cleide Alves à frente dos vocais do disco é algo simplesmente fenomenal. Enquanto Celly Campello, maior expoente de rainha do rock na época, tinha em seu tom uma natureza angelical de moça de casa e garota prendada, Cleide Alves carregava em sua doçura de voz um nível alto da característica, transformando canções comuns em verdadeiros desafetos amorosos e atitudes cuja seriedade se esquecia. Aliando-se aos vocais, as letras das músicas imprimiam um comportamento que não comportava totalmente o amor vassalo que a pré e a Jovem Guarda carregavam. Canções como "Chega (Makin' Love)" e "Namorando" tratavam do amor com total descaso com companhia, ou chamava pais e comportamento de casamento como algo quadrado. E justamente a interpretação de Cleide Alves fazia um tema mal-criado virar simplesmente algo desafiador. O caso da banda é outro ponto peculiar no disco. Indo do twist tradicional ("The Peppermint Twist", "Eu Quero Twist") aos temas instrumentais tradicionais ("Summer Comes Again", "Blue Caps Twist"), o grupo ainda fazia menções tortuosas do gênero musical, dando nova luz a batidas e riffs de guitarra. No ano seguinte, Renato e Seus Blue Caps
lançavam seu segundo disco, o primeiro somente com a banda, onde
já arriscavam mais a fundo um passo fora do gênero que
deu nome ao disco de estréia, até culminar no nicho fixo
em 65. Mas a visão de banda que rendeu grandes frutos na metade
da década de 60 e que deturpou de forma genial o twist em 61
merece ser sempre lembrado como o maior clássico do gênero
no Brasil.
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