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LOS SHAKERS
por Leonardo Bomfim A clássica banda 60's Los Shakers reuniu-se novamente para gravar um disco e fazer uma tour pelo mundo (com passagens previstas pelo Brasil). A estréia da turnê está marcada para os dias 11 e 12 de novembro, no Cine Plaza, em Montevideo. O disco já está em fase de gravação e promete um Shakers revigorado, mas sem perder a classe. A banda uruguaia, formada por Hugo Fattoruso (guitarra solo, teclados e vocal), Osvaldo Fattoruso (guitarra e vocal), Roberto "Pelin" (baixo e vocal) e Caio Villa (bateria), sempre manteve o som na linha "beatle" e lançou pérolas do rock sixtie como o hit "Break It All" e a obra-prima La Conferencia Secreta Del Toto's Bar. Aproveitando o gancho, a Freakium traz toda a discografia dos caras - incluindo algumas raridades - comentada e detalhada!
A estréia dos Shakers foi um sucesso. Após assistirem o filme A Hard Day's Night dos Beatles, os integrantes, até então músicos de jazz, resolveram mudar o som e batizar o grupo de Los Shakers. O primeiro disco, lançado em 65, apareceu com uma incrível pegada beat e melodias grudentas à la Lennon & McCartney. O disco trazia o hit "Break It All" (o maior sucesso até hoje, inclusive presente no segundo volume da box set garageira Nuggets), a bela "Don't Ask Me Love", a soturna "The Longest Night" e "Thinking", entre outras. "Los Shakers" foi o disco dos caras que mais vendeu, indo direto ao topo das paradas uruguaias e argentinas.
Já que todas as músicas
dos Shakers eram cantadas em inglês, a gravadora tentou lançá-los
nos Estados Unidos. "Break It All" foi o lançamento
exclusivo para o mercado norte-americano e trouxe ótimas regravações
dos hits do primeiro disco, além de mais algumas só lançadas
em compactos no mercado latino-americano. Vale a pena conferir as músicas
até então inéditas em LP, as alegres "Won't
You Please", "What A Love" e "Forgive Me" (esta
última regravada no Brasil por Renato & Seus Blue Caps e
Os Brasas), comprovando que os irmãos Fattoruso eram uma máquina
de compor hits. No entanto, o disco não vingou nas terras norte-americanas. Em 66 o mundo começou a ficar psicodélico e os Shakers mostraram estar antenados com a nova onda, lançando o maravilhoso Shakers For You (vale lembrar que o Brasil só ficou psicodélico mesmo em 1968, quando a "manhã tropical" se iniciou). O segundo disco oficial da banda tem um clima Rubber Soul, quase Revolver, com apaixonantes canções, arranjos levemente lisérgicos e inspiradas harmonias vocais, já abrindo com o irresistível samba beat "Never, Never" (que fez bastante sucesso no Brasil). O que segue é uma impressionante coleção de músicas com aquele clima psicodélico ainda inocente de 66. "The Child And Me", "Hear My Words", "Too Late" e "Smile Again" têm cara de hits, enquanto as lindas baladas "Reviens Ma Cherrie", "Let Me Tell You" e "You'll Find A Girl" chegam a emocionar. "Shakers For You" fecha com a beleza hipnótica e dissonante de "I Hope You Like It", com direito a guitarras gravadas ao contrário. Um disco essencial para qualquer pessoa que gosta de boa música.
Se no "For You" os Shakers já
tinham embarcado no mundo psicodélico, La Conferencia Secreta
Del Toto's Bar apresentou a banda no meio de uma completa viagem
sonora, em total sintonia com os Beatles. As 11 canções
que formam a obra-prima encantam qualquer um, com toques de música
uruguaia ("Candombe"), sunshine pop ("The Shape Of A
Rainbow" e "Always You"), psicodelia inglesa ("I
Remember My World" e "Mr. Highway") e beach boys fase
Pet Sounds (Higher Than A Tower). Isso tudo sem contar "The Pine
& The Rose", uma das mais belas canções do rock
60's.
Com o fim da banda, os irmãos Fattoruso se aventuraram pela bossa nova, lançando La Bossa Nova De Hugo Y Osvaldo em 69. Ainda nos Shakers, a dupla já dava sinais do affair com ritmos brasileiros ("Never, Never" e "Lovely Lola") mas sempre com uma pegada beat. "La Bossa" é um disco incrivelmente cool, todo cantado em inglês, com arranjos simples e voz baixinha no melhor estilo João Gilberto. Há algumas regravações dos tempos dos Shakers como "The Longest Night, "Never Never" e "The Pine & The Rose", excelentes versões como "This Guy's In Love With You" de Burt Bacharach "You Like Me Too Much" dos Beatles (sempre eles!) e outras lindas e intimistas bossinhas. A bossa dos irmãos Fattoruso ainda tinha um toque de lounge, com orgãos bem sacados, e uma certa atmosfera lisérgica. Uma raridade que vale a pena!
Morando no Brasil, a "cozinha" dos Shakers tentou ressucitar o grupo com In The Studio Again, acompanhada dos irmãos de Pelin, Hector e Carlos. Apesar de ter bons momentos, o disco foi um tremendo fracasso, já que foi criado mais por exigência da gravadora. O som ainda apresentava ecos da beatlemania, inclusive com versão para "Too Many People" de Paul McCartney, mas tinha uma pegada mais setentista. Destaque para a fuzz "You Were A Liar" e a pop "See The Light". Ainda houve uma outra tentativa de revida aos Shakers, dessa vez com Hugo e Osvaldo, em um disco chamado "Los Otros Shakers". No entanto o projeto foi mais uma homenagem saudosista do que um verdadeiro retorno da banda.
Golden Wings - 1976 Logo depois de gravar o La Bossa, Hugo seguiu para os Estados Unidos e formou o grupo OPA, com seu outro irmão George Fattoruso (bateria) e Ringo Thielmann (baixo). Radicado em Nova Iorque, o trio lançou dois discos nos anos 70, Golden Wings (76) e Magic Time (77), e chamou bastante atenção do percussionista Airto Moreira, com quem chegou a excursionar e gravar durante um tempo. Os dois discos traziam uma interessante mistura de ritmos brasileiros, uruguaios, funk e jazz e são até hoje citados como clássicos da música fusion. Não se pode falar de rock sixtie
sem citar a contribuição de Hugo, Osvaldo, Pelin e Caio,
e todos os discos e canções maravilhosas que eles criaram.
Agora é aguardar o novo lançamento dos Shakers para acrescentar
à excepcional discografia dos uruguaios mais "beatles"
de todos os tempos.
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