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ENTREVISTA: GETÚLIO
CÔRTES
por Leonardo Bomfim
O rock nacional teve seu primeiro momento de efervescência com o surgimento da Jovem Guarda. Um dos principais responsáveis pelo lado mais criativo do iê-iê-iê tupiniquim foi Getúlio Côrtes, compositor de "O Sósia", "Quase Fui Lhe Procurar", "Negro Gato" e "Noite de Terror", entre outros clássicos, imortalizados na voz de Roberto Carlos. Fui até a casa do "Negro Gato" para bater um papo sobre as irresistíveis canções, histórias curiosas e momentos inesquecíveis da vida do grande hitmaker do rock brasileiro.
Eu vou ser franco, não toco instrumentos de corda. Eu sempre fui doido por bateria, mas no início tive a pretensão de ser cantor. Cantava aqueles rocks, Elvis e aquela coisa toda. Mas aí vi que a concorrência na época era pesada, e pensei em mudar de praia, virar compositor. E me dei bem! No começo você tinha uma banda chamada Wonderful Boys. Fale sobre ela. Foi o início da minha carreira, em 1962. Nós ganhamos até prêmios na extinta rádio Mayrink Veiga. Você tocava, cantava? Eu cantava, junto com o Pedro Paulo e o Jocelyn Braga, que era meu amigo de infância. Era uma coisa muito amadora. Tinha um concurso de bandas, com dublagem, danças... Tinha tudo, mas só rock. Naquela época estava começando a onda do twist, mas o rock ainda estava no auge. Nosso repertório era "The Platters", aquela coisa... Eram só versões ou já tinham músicas próprias? A gente só cantava música de outros cantores. Todo mundo cantava música em inglês pra ganhar o prêmio! O negócio era ganhar o prêmio, e as menininhas, fazendo aquela bagunça toda... Era legal! O que te motivou a começar a compor? Eu vou ser franco a você, porque as pessoas só contam o lado bom. Eu era um cara duro, não tinha grana, nem nada. Minha família era de subúrbio, nasci em Madureira. Lá eu não tinha acesso a discos importados, não tinha nem som. Mas lembro que tinha um cinema de terceira categoria chamado Poeira e eu pulava o muro só pra ver os grandes musicais, Gene Kelly, Fred Astaire, aquelas danças... A minha influência maior foi essa. Eu vi muitos filmes baseados na história de compositores da época, Cole Porter e aqueles caras dos grandes musicais da Metro. Aquilo que me inspirou. Eu adoro cinema.
Algumas de suas letras são realmente bem cinematográficas, narrando historinhas... Pode ver que minhas primeiras músicas são todas historinhas. "Noite de Terror" foi baseada num filme de terror que eu vi, só que coloquei uma menininha no meio.. A minha iniciação foi com os filmes musicais da Metro mesmo. Quando você conheceu o pessoal da Jovem Guarda? O início foi muito duro. No começo dos anos 60, que eu comecei a fazer umas músicas, mas dei um pouco de sorte porque estava todo mundo começando. Roberto Carlos, Wanderléa, Erasmo, Wilson Simonal, Golden Boys... Essa turma toda estava iniciando a carreira. Eles estavam lutando ali, igual a mim, por um lugar ao sol. Eu queria estar no "bolo", então andava ali pela CBS, que hoje é a Sony. Lá era o centro da Jovem Guarda. Tava todo mundo sendo descoberto pela CBS. Aquela onda começou em 61 e eu era o roadie do Renato & Seus Blue Caps. O Renato Barros é muito meu amigo, nascemos num bairro próximo... Eu carregava os instrumentos, mas dinheiro não tinha. Então você entrou na "cena" nessa época. Isso, eu entrei no "bolo", porque o Renato & Seus Blue Caps foi uma das primeiras bandas do Brasil que estourou. Eles gravavam com todo mundo ali na CBS e eu estava ali... Foi uma porta pra mim. O Renato Barros foi o primeiro que acreditou em mim como compositor. Muita gente acha que "Negro Gato", o meu maior sucesso, foi gravado pelo Roberto Carlos primeiro... Não, foi gravada pelo Renato. Mas foi gravada mesmo pra "encher linguiça" no vinil deles da época. O Renato sempre gostou muito da música. Foi a sua primeira composição gravada? Foi. Eu até fiquei feliz porque ele dizia que a música era boa e me deu uma força. O Roberto estava começando a carreira e ia gravar o primeiro disco mais no esquema da Jovem Guarda, que ainda não tinha começado... Ele ouviu "Negro Gato" e veio me pedir uma música. Aí eu mostrei "Noite de Terror". Ele adorou e gravou em 65. Mais tarde ele veio me dizer que tinha adorado "Negro Gato" com o Renato & Seus Blue Caps, e que queria gravar do seu jeito. Antes ele já tinha gravado "O Feio", parceria com o Renato, e "Pega Ladrão", naquele disco que tinha "Que Tudo Vá Pro Inferno". Mas ele não ficou satisfeito e disse: "Getúlio, eu quero o "Negro Gato"! E no LP seguinte ele gravou. Junto com "O Gênio". Aliás, eu fico muito feliz, porque fui o único compositor que, sozinho, teve duas músicas gravadas no mesmo disco pelo Roberto. Falando sobre o Roberto Carlos, como era a relação dele com você? Era uma coisa muito bonita. Na CBS a gente
era praticamente uma família, porque toda hora a gente se via.
O Renato gravava com todo mundo, aí um ia ver a gravação
do outro... O Roberto era um pouco mais difícil, porque ele estava
no auge do sucesso, viajando pelo Brasil todo, mas a gente se encontrava
muito porque eu não deixei de manter contato com ele. Ele morava
aqui no Rio e às vezes me telefonava dizendo: "vem aqui, vem
aqui!". Ele me chamava muito de "Negro Gato", e eu chamo
ele de "Charles". Ele pedia pra eu mostrar as músicas
e tal. Aí quando ele foi pra São Paulo, apresentar o programa
Jovem Guarda, ele disse que ia dar um jeito de eu ir pra lá. Isso. Eu fui assistente do produtor Carlos Manga. Foi uma experiência muito boa, aí eu vi que televisão é uma casa de doido mesmo (risos). Tinha aquelas bandas maravilhosas lá de São Paulo, Jet Blacks, Jordans, The Clevers... Era uma coisa muito bonita aquela época. Você estava trabalhando nos bastidores. Nunca bateu uma vontade de subir no palco? Não, eu gostava era de ficar por trás e de compor. Graças a Deus, muitos artistas me pediam músicas. Foram gravadas 285 músicas minhas. Nem todas foram sucesso, é claro. Eu gravei com Bobby De Carlo, Antonio Marcos, Ed Wilson, Erasmo, Wanderléa, Jerry Adriani... Muita gente da época. E com o próprio Roberto, que eu tenho o recorde. Ele gravou 14 músicas minhas. Como funcionava o seu processo de composição? As pessoas sempre te pediam músicas, você às vezes já aparecia com alguma pronta? Música é uma coisa assim,
você não pode só mostrar aquela que gosta. Tem que
fazer uma porção. Pro cara gostar de uma, tem que mostrar
umas três. Aconteceu um fato curioso com o Roberto. Ele me chamou
em São Paulo, na casa dele, e eu mostrei uma canção
toda melosa. Ele falou pra mim: "pô, essa música tá
uma merda, isso é horrível!". Aí eu falei: "pô
Roberto, fiquei três meses fazendo essa música pensando que
você ia gostar...". Ele perguntou se eu tinha outra e eu não
tinha nada, já que tinha feito com tanto carinho pra ele. Ele me
jogou um balde de água fria. Aí lembrei de uma música
que não tinha nada a ver com ele. Ele insistiu pra eu mostrar e
comecei : "estava com um broto no portão, quando um grito
ouvi 'pega ladão'". Ele arregalou os olhos e falou: "é
essa bicho, não vai mostrar isso pro Erasmo não, seu safado!!" E a canção melosa, alguém chegou a gravar? Eu acho que não. A música era uma droga mesmo (risos). É que eu fiz correndo, aí não dá.
No começo as suas músicas eram mais rocks, mas no final dos anos 60 ficaram mais balada, mais soul. Como ocorreu essa transição? É curioso isso. Um dia o Roberto me chamou lá na CBS e disse: "Getulio, é o seguinte, já tô te avisando agora, não quero gravar mais músicas desse estilo, faz uma coisinha mais séria, algo mais canção". Aí eu entrei na canção, eu não queria perder o meu esquema né... Eu compus uma música que ele adorou, "O Tempo Vai Apagar", parceria com o Paulo César Barros, do Renato & Seus Blue Caps. Aliás, foi regravada por todo mundo. Nesse mesmo disco, ele gravou outra música minha, "Quase Fui Lhe Procurar", que ele adorou. Eu fiquei nessa esquema de música romântica porque era uma boa. Você chegou a comentar que "Quase Fui Lhe Procurar" foi feita de uma maneira despretensiosa. Como aconteceu? Foi despretensiosa porque eu ia fazer outra pro Roberto. Ela é baseada numa história que aconteceu comigo, com uma namoradinha que eu tinha na época. Eu dei sorte que a história da música era o que o Roberto estava sentindo também. Ele quis gravar por causa disso. Essa música chegou a ser tema de novela da globo. "Quase Fui Lhe Procurar" e "O Tempo Vai Apagar" fazem parte de um disco essencial do Roberto, que marca um período de transição do iê-iê-iê para a fase soul, mais romântica... É, e aliás, "O Tempo Vai Apagar" tem uma história curiosa. Eu fiz essa música em parceria com o Renato Barros, mas ele colocou o nome do Paulo César, que ia casar na época e precisava de um dinheirinho (risos). Eu só quebrei esse esquema de música romântica com "O Sósia". Um belo recado para os imitadores do "inimitável", não? Isso, a idéia foi essa mesmo! Eu não botava muita fé nessa música não mas ele adorou, exatamente porque vivia reclamando que tinha muita gente o imitando. Ficou legal né. Mas depois eu voltei à canção de novo. Eu fiz "Atitudes", que foi sucesso na Argentina, "Uma Palavra Amiga", "Por Motivo de Força Maior", que foi a última música minha gravada naquela época, em 77. Em 96 ele regravou "Quase Fui Lhe Procurar". Legal que ele não esqueceu de mim. Vocês se falam até hoje? As pessoas me perguntam se eu não faço mais músicas pro Roberto, mas eu faço... É que ele resolveu mudar um pouco aquele círculo de compositores. Apareceram outros compositores bons, como o Carlos Colla... Mas a gente ainda mantém contato. Encontrei com ele na igreja, na missa da mãe do Erasmo. Ele me abraçou, aquela coisa toda. A gente sempre se encontra. E o que você acha dos últimos discos dele? É, as pessoas sentem falta daquela coisa que o Roberto tinha, daquela... Do Getulio Côrtes?
Não, modéstia à parte...
Eu fui só uma parcela de grandes compositores daquela época.
Tem Helena dos Santos, Edson Ribeiro, Luiz Ayrão... Os compositores
novos são maravilhosos, mas é aquela coisa né, cada
um puxa a sardinha pro seu lado. Não sei se ele tá errado
ou certo. Quem julga essas coisas é o público. Às vezes
eu faço shows por aí e o pessoal diz que sente falta dos rocks
do Roberto. Têm que perguntar isso a ele, eu sou suspeito (risos).
Eu fiz uma música nova para ele chamada "Em Algum Lugar do Passado",
as pessoas dizem que é muito bonita. Espero que ele queira gravar.
Sem o Roberto, eu não seria nada! E sem o Renato & Seus Blue
Caps eu também não seria nada...
Renato & Seus Blue Caps também gravaram muitas músicas suas, inclusive a sua primeira balada, "Esqueça e Perdoe" (Isto É Renato & Seus Blue Caps/65)... Essa é bem antiga mesmo. Eu compus
seis músicas pro Renato. "Disse Me Disse" também,
que fez muito sucesso. Não lembro de todas... Isso deu um rolo na época. Eu tinha uma namoradinha, e o telefone dela era esse. Isso me veio à cabeça porque ela vendeu esse telefone, aí coloquei na música. Deu um rolo! O dono do telefone queria processar a CBS, aí chegaram em cima de mim... Eu tive que me comunicar com ele, pedir autorização e tal. Ligavam muito pra casa do cara? Nossa senhora! Ele disse que não tinha sossego! Pensavam que era o telefone do Renato & Seus Blue Caps. Mas depois ficou tudo legal, ele me deu autorização e ficou meu fã (risos). Ele era militar... Mas deu uma confusão mesmo. Existia aquela besteira de alguns medalhões da MPB afirmarem que a música da Jovem Guarda não tinha valor nenhum. Como você reagia a isso, de ver um Chico Buarque saindo como "herói" e o Roberto Carlos como um alienado? Eles não saíram bem heróis não. Eles entraram nessa onda porque sentiram que o negócio ia crescer assustadoramente. A Jovem Guarda foi uma coisa enorme, deu muito emprego. Muita gente ganhou dinheiro com a JG. E eu também ganhei alguma coisa. Isso não tava legal pra eles, tinham que fazer alguma coisa. Eu não tenho nada contra a MPB, gosto de Chico Buarque, do Milton, mas eles levantaram uma bandeira ridícula na época, "esses cabeludos com guitarras, imitando os americanos!". Tinha aquela coisa nacionalista. Uma besteira. Só umas três pessoas não aderiram a isso, o Caetano e a Tropicália e outros. Chegaram a fazer passeata contra a guitarra elétrica, uma palhaçada. Todo mundo gravou com guitarra. O Gil também... O problema não era a guitarra e sim o estilo, que era a onda da época. Como você encarava a "obrigação" do protesto dentro da música brasileira? A JG estourou numa época política meio conturbada, mas a gente não tinha nada a ver com isso. Nós queríamos era farra, botar aquelas roupas coloridas, anéis enormes, carrão... O negócio era esse. Ninguém queria saber de política, de militar. Eu via aquelas passeatas dos estudantes do Calabouço, vi canhão no meio da rua, mas não tava nem aí. Queria fazer meus rockzinhos. Muitos compositores também não estava nem aí... E aquilo era oportunista também né? Já que estava rendendo... É aquela história né, mas muitos se deram mal. Tiveram que sair fora correndo. Nosso esquema era outro. Músicas ingênuas, menininhas. Não tinha nada a ver com política. Mas "Negro Gato" é interpretada por muita gente como uma música sobre racismo. Um dia o Erasmo chegou pra mim e disse que
a música tinha duas conotações, que falava da história
do negro na sociedade brasileira. Instintivamente, ela pode até
parecer baseada no esquema social, na descriminação. Mas
não tem nada a ver. Eu escrevi por causa de um gato que me perturbava!
Aí vi que o gato daria um bom tema, gato sofre pra caramba, dizem
que dá azar... Eu nunca pertenci a movimento contestador nenhum.
Aliás, quem descriminou mais a gente foram esses caras da MPB,
que fizeram um monte de gracinha. Mas é problema deles. Nós
continuamos nosso caminho e estamos aí há 40 anos. Isso
que é bom! Nessa época que eu comecei a fazer
algumas coisas mais sérias. Eu fiz até samba. A JG praticamente
existiu por causa dos Beatles. Eles vieram na época certa, deram
uma sacudida, lançaram moda, com cabelo grande. Eu tava na onda.
O seu irmão Gerson King Combo, um dos ícones da música black nacional, começou a carreira nos anos 70.Teve alguma influência sua? Eu criei o nome Gerson King Combo. O esquema dele era mais James Brown, ele que começou essa onda toda de funk, essa coisa de MC's. Só que ele não embromava, ele tinha uma banda mesmo de funk, uma banda fantástica, a Banda Black Rio! Só tinha cobra. Os shows levavam umas duas mil pessoas. Ele não era da praia da JG e sempre me pedia uns funks. Ele chegou a gravar alguma composição? Gravou uma chamada "É Quente".
Não foi um grande sucesso mas foi legal. Eu compus pro Toni Tornado
também, "Eu Duvido Muito" e "Eu Disse Amém",
daquele LP da BR-3. Claro, o Toni Tornado chegou a tocar comigo. Eu estive em Nova Iorque em 68. Fui no Bronx, naquela barra pesadíssima. Fiquei lá um mês para uma convenção da CBS. Voltei com novas influências. Você geralmente compunha sozinho. Tinha muita gente que queria compor com você? Eu componho sozinho, mas não é por egoísmo não. Já fiz música com Leno, Renato Barros, Ed Wilson, mas tenho um estilo de compor diferente. Você não pode sentar pegar o papel e começar... Não é assim. Você tá andando na rua e de repente vem uma idéia. Quando eu fiz "Pega Ladrão", demorei mais de um mês pra terminar a segunda parte. Foi em um trem que a inspiração veio e aí terminei em meia hora. Quando eu componho, me coloco na pele do personagem, como eu fiz com o "Negro Gato". Se a música é triste, eu fico triste. " O Tempo Vai Apagar" é assim. Ingênua mas com profundidade. Você fez algumas músicas com influência latina, como "Patati Patata" e "Coração Embalsamado". Como ocorreu essa influência? "Patati Patata" eu fiz pro meu irmão. Quem adorou essa música foi o Raul Seixas, que era produtor da dupla Tony & Frankie, que seguia aquela linha do Tim Maia. Eles gravaram a música. O Raul ouviu e pediu uma música bem doida para gravar. "Coração Embalsamado" foi gravada por um rapaz chamado Edy Star. O produtor dele pediu uma coisa bem doida também, já que o Edy tava naquela meio Alice Cooper. Ele pediu pra eu fazer alguma coisa que ele pudesse desmunhecar bastante. (risos) Ficou legal, é um tango-rock... Então o pessoal pedia as músicas, "faz uma assim..." O compositor tem que ser como um alfaiate, tem que fazer de acordo com o estilo da pessoa. O Raulzito na época era produtor de vários artistas que gravavam suas músicas. Ele nunca chegou a gravar nada seu? Eu conheci o Raul no início da carreira
dele, quando ele acompanhava o Jerry. Nessa época o Jerry chegou
a gravar uma música minha chamada "Preciso De Você Agora".
O Raul gravou "Pega Ladrão" num disco de rockão
pesado. Ele sempre me adorou e vivia pedindo uma música, mas nunca
teve a chance de gravar uma inédita... Eu acho chato, a culpa é de certos empresários. O pessoal da Bossa Nova e da Tropicália é mais unido, mas o que acontece na JG é que existe um grupinho. Eu não vou citar nomes, mas têm alguns empresários farjutos aí... Claro que Roberto, Erasmo e Wanderléa eram aquele tripé, mas tem muita gente também. Tem Martinha, The Clevers, Fevers, Jerry Adriani, Wanderley Cardoso... Lá nos Estados Unidos eles prestigiam os compositores, porque eles são o suporte do artista. Sem eles, o artista não existe. Tem artista que não compõe... E deu pra ganhar muita grana com as composições? Muita grana não. Eu consegui comprar um apartamento, mas joguei muita grana fora também. Muita farra, anel, carrão, aquelas coisas... Eu cheguei a conclusão que tinha que comprar um imóvel. Mas eu viajava muito. Esse negócio de diretos autorais é uma coisa muito esquisita, você ganha trinta mil e só fecha a conta de dez mil... Você não pode provar nada, não pode controlar. Eu poderia ter ganhado bem mais, mas deu pra sobreviver. Rico não deu pra ficar! O que você gosta do rock nacional atual? Eu gostei muito desses Faichecleres. Mas tem uns caras aí que tão enganando pra caramba. É uma máfia né. Qualquer um chega numa gravadora e é produzido. Eles criam umas coisas estranhas. Eu não estou vendo muita coisa nova em banda... E atualmente, como anda sua carreira? Estou fazendo uns shows por aí, com uma banda muito boa. Vai ter agora o lançamento de um DVD, gravado no Canecão em 2004, com Wanderley Cardoso, Vanusa, Ed Wilson, Os Incríveis... Eu canto "Negro Gato", "Pega Ladrão" e " O Gênio". Tava lotado, o pessoal adora a JG. E disco, tem algo previsto? Talvez saia em setembro um cd com as minhas
versões das músicas gravadas pelo Rei. Por enquanto só
tem a demo. Tem "Negro Gato", "Eu Só Tenho Um Caminho",
"O Sósia"... Também saiu um disco tributo com
Leo Jaime, Renato & Seus Blue Caps, Wanderléia, Leno, Gerson
King Combo, Fágner... Eu estou por aí!
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