TOP 10
CANÇÕES SOBRE BAD TRIPS!

por Leonardo Bomfim

A música produzida na década de 60 sofreu uma influência enorme das drogas. Desde as “inocentes” anfetaminas que os Beatles tomavam em Hamburgo, passando pela maconha de Dylan, o ácido lisérgico de San Francisco e radicalizando com a heroína de Lou Reed, as drogas acabaram ajudando a ditar o ritmo frenético das mudanças musicais daqueles anos. No entanto, nem tudo eram flores e amores para os adeptos dessa ajudinha externa. Algumas bandas pagaram tributo ao lado negro da coisa, os momentos desesperadores que ninguém nunca gostaria de passar. Aqui aparecem as dez melhores canções sobre bad trips!

10. FuzzFaces – UM AUTÊNTICO SELVAGEM/ Voodoo Hits (2003)

Ok, era pra ser um top 10 só com bandas sixties, mas o trio paulistano FuzzFaces merece iniciar a lista com a antológica "Um Autêntico Selvagem", história de um cara que tomou um chá de cogumelo e regrediu até a idade da pedra. A banda bebe na fonte das melhores tosqueiras dos 60’s e o petardo garageiro, repleto de fuzz e “uga bugas”, não deixa nada a dever a nenhuma banda “pebble”. “O chá de cogumelo quente fez tudo ruir/ Da viagem ‘back from the grave’ não consigo sair/ Não é miragem, na sua frente um autêntico selvagem...”. Selvageria é com eles mesmos!

09. Kaleidoscope– FLIGHT FROM AISHYA/ Tangerine Dream (1967)

Paranóia no meio de um vôo, causada por um cigarro de maconha. O Kaleidoscope inglês embarcou no "Flight From Aishya" rumo ao pânico geral. A letra desesperada e psicodélica avisava “toda a minha infância passa voando diante dos meus olhos.../Comandante Simpson pareceu estar confuso”, e finalizava “Ninguém sabe onde estamos”. Aí realmente complica...


08. Mad River - AMPHETAMINE GAZALLE/ Mad River (1968)

O disco de estréia do Mad River ficou conhecido como “the dark side of the psychedelia”. Praticamente todas as músicas da banda californiana falavam sobre bad trips. "Amphetamine Gazalle" era a viagem mais expressiva, com uma letra confusa e instrumental bem acelerado. Sua introdução, com o vocalista Lawrence Hammond gaguejando palavras desconexas, mostrou que a anfetamina podia fazer muito mal à cabeça.

07. Strawberry Alarm Clock – WORLD IS ON FIRE/ Psych Out Soundtrack (1967)

Trilha sonora do filme cult Psych Out, "World Is On Fire" surge durante uma tremenda bad trip de uma jovem cega! Depois de tomar uma dose cavalar de LSD, a menina (estrelada por Susan Strasberg), se perde em L.A e começa a sentir más vibrações com ilusões de chamas por todos os lados. Com longos momentos instrumentais, a canção também figurou no primeiro disco do Strawberry Alarm Clock.

06. Donovan – SEASON OF THE WITCH/ Sunshine Superman (1966)

O disco Sunshine Superman abre o lado A com uma visão super otimista do LSD. No entanto, o lado B começa com "Season Of The Witch", uma das canções mais sombrias sobre os abusos com a droga psicodélica. Na letra, o folk-singer Donovan cria imagens fortes e macabras para mostrar o lado negro da viagem. Curiosamente, a canção foi a mais regravada de seu repertório.

05. The Beatles – SHE SAID SHE SAID/ Revolver (1966)

"She Said She Said" não é exatamente sobre uma bad trip. A composição de John Lennon é baseada em alguns maus momentos vividos por George Harrison, em uma festinha em Los Angeles. O beatle estava tendo uma de suas primeiras experiências com LSD e como não estava acostumado com a nova onda, começou a passar mal e imaginar a própria morte. O ator Peter Fonda, também doidão de ácido, tentou acalmá-lo dizendo “Eu sei como é estar morto”. Lennon ficou com a frase na cabeça e, partindo dela, fez uma das melhores músicas da fase lisérgica dos Beatles.

04. Love - SIGNED D.C / Love (1966)

A primeira formação da banda californiana Love contava com o baterista Don Conka, que pulou fora(ainda nas gravações do disco de estréia) por causa de problemas com a heroína. O líder Arthur Lee, muito abalado, compôs uma das mais belas canções anti-drogas de todos os tempos. Com melodia triste e letra agoniada, Signed D.C foi uma das primeiras músicas a narrar os problemas causados pelo vício em heroína.

03. The Rolling Stones – SISTER MORPHINE/Sticky Fingers (1970)

Uma das canções mais densas da carreira dos Stones. "Sister Morphine" é parceria de Jagger & Richards com Marianne Faithfull, que a lançou em compacto no ano anterior. A desesperadora letra retrata uma pessoa na cama de um hospital, em estado mental lastimável. “Doce prima cocaína, coloque sua mão fria sobre minha cabeça/ E venha irmã morfina, é melhor você arrumar minha cama/ Porque nós dois sabemos que amanhã eu estarei morto/”. Mais direto impossível...


02. The Who – ARMENIA CITY IN THE SKY/Sell Out (1967)

Só uma banda com muito culhão para abrir um disco, no ano do verão do amor (o apogeu dos hippies floridos, do “love, love, love” e do abuso das drogas lisérgicas), com uma tremenda bad trip de LSD.
Armenia City In The Sky, composta pelo motorista de Pete Townshend, introduz o clássico Sell Out com as seguintes palavras: “Se você está com problemas e não consegue relaxar, feche os olhos e pense nisso/Se todos os rumores flutuando na sua cabeça viraram fatos, feche os olhos e pense nisso”. No final ainda surgem imagens estranhas como o “céu de vidro”, “mar marrom” e “todo mundo de cabeça pra baixo”, enquanto toda energia sonora do Who é descarregada em cima do pobre coitado.


Syd Barrett

01. Syd Barrett – VEGETABLE MAN/- (1968)

"Vegetable Man", composição de Syd não aproveitada pelo Pink Floyd, é um dos momentos mais agoniados da história da música pop. Nessa época, Barrett já estava completamente perdido e cada vez mais afastado do grupo. A bizarra canção é uma espécie de auto-retrato caótico e real. “E toda a sorte/É tudo que eu tenho/ É o que eu visto/É o que você vê/ É o que eu sou/ Homem vegetal/Aonde está você?”
Até hoje Syd não encontrou o seu lugar e sua carreira pós-Pink Floyd foi um registro bem complexo de uma bad trip fatal.


 
     

 

 
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