ENTREVISTA: PLATO DIVORAK



por Leonardo Bomfim & Rafael Pesce

 


O Rock Gaúcho é recheado de bandas cult, “causos” estranhos e discos clássicos que (quase) ninguém ouviu. Certamente uma das figuras mais emblemáticas da cena porto-alegrense é o cantor, compositor, ator e agitador cultural Plato Divorak. No momento, Plato está lançando dois discos simultaneamente, Cartas Para O Garoto De Sábado (gravado ao vivo no estúdio Dreher) e Calendário Da Imaginação ( pela gravadora paulistana Baratos Afins). Fomos até a sua casa e em meio a centenas de discos, cds, letras de música e fitas vhs, batemos um papo pra lá de lisérgico sobre passado, futuro e presente desse ícone freak do rock psicodélico gaúcho.

Como foi seu contato inicial com a música?

1962 ou 61, curtindo rádio ao lado da minha mãe. Eu gostava de compactos, devia ter 6 ou 7 anos e já gostava de Tim Maia, Roberto Carlos... Era o que rolava na rádio, então a música ia entrando basicamente pela cabeça.

Quando decidiu ser cantor, era um sonho de criança?

Eu até me lembro de uma foto, nesse tempo em Novo Hamburgo, já cabeludo com 15 anos, pegando a vassoura como se fosse o microfone. Talvez por ver na televisão algum clipe de rock ou alguma coisa assim... Querendo ser cantor, em uma coisa metafísica assim.

Em que momento a psicodelia tomou conta da sua cabeça, qual foi o primeiro contato com a música lisérgica?

Fim dos anos 70 e começo dos anos 80, aquelas festas adolescentes. Quando tinha 14 anos, eu ia bastante pra Novo Hamburgo já que Porto Alegre estava assolada por darks e punks. Eu queria coisa nova e som psicodélico, basicamente festinhas hippies. Eu carregava uma caixa de som até a esquina de um morro pra curtir Yardbirds, Chuck Berry, Led Zeppelin... Basicamente uma mistura com o som elétrico de São Paulo... Ave de Veludo e tudo mais. A gente odiava discoteca.

E o nome Plato Divorak, como surgiu?

Ah...Não faz assim! (risos)
Eu lia bastante Jack Kerouac, o beatnik, e gostava do “ac” no fim, então decidi fazer uma jogada, uma verdadeira citação surrealista. Eu cortei papéis, joguei pra cima e deu Divorak. E Plato, uma garota chamada Kid Mazona Antonela me chamou assim. O meu apelido era Pablo porque eu gostava da seleção argentina de 78, eu tinha uma camiseta e abria os braços imitando o Kempes, artilheiro e matador. Esse tipo de coisa acabou me influenciado... Mais ou menos em 84, já era Paulo Divorak, porque meu nome é Paulo, aí em 86 virei Plato.

Qual foi a sua primeira experiência como músico?

Eu estava em Novo Hamburgo com uma banda chamada Zorba, que misturava Stooges com uma coisa meio dark, muita barulheira, meio Joy Division. Tinha um vocalista chamado Camaleão Selvagem e sempre no final eu entrava pra fazer um improviso com eles, entrava cantando com um pedal de eco na voz... Cantava qualquer coisa e eles gostavam, porque eles sabiam que eu era maluco, então deixavam... “Uma palhinha com o maluco de Poa”... Eu chegava e fazia o som com os caras numa garagem.

Você sempre se destacou pelas letras lisérgicas e bem humoradas, como funciona o processo de composição de Plato Divorak?

Pois é, às vezes eu estou escrevendo e me vem uma frase tipo “a bagunça é imortal”, aí me dá a vontade de fazer uma rima: “mas eu acho tudo isso normal”. Então eu prefiro fazer uma frase mais longa e depois essa, saem frases banais, calculistas... Mad Maria... Isso não! (risos)


Já tem alguma composição sobre Mad Maria?

Não, mas estou pensando em fazer pro Antonio Fagundes, como ele pode viver tanto tempo como galã?? É muito tempo... Isso tudo que faz parte da vida pra mim, um cachorro mordendo a própria perna, são coisas banais da vida. Às vezes eu sinto que estou me afogando, aí eu vejo a luz de algum barco fantasma e consigo ir escrevendo as minhas letras das mais variadas formas.


Plato Divorak, Leonardo Bomfim & Rafael Pesce

Como surgiram as suas expressões, que já viraram folclore nos shows, tipo “canalha”, “é homi” e “saifaísca”?

São expressões que vêm de dentro de mim para quem merece ouvi-las, não para vilões do estrelato brasileiro.

Faça um resumo de todas as suas bandas e projetos.

Pére Lachaise, era um som que tinha uma qualidade instrumental maior, mais clássico.

A Lovecraft tinha um som com mais garra, era uma banda que misturava mod e rock’n’roll, e além disso o psicodelismo, tropicalismo, jazz... Eram vários elementos pra formar um som único. Se você ouvir tem até grunge, ska, mas eu nem falo mais pra não estragar o nome da banda! (risos)

Plato e os Sha-zams veio a me afirmar como musico tocando baixo, aquela célula nervosa que o baixista tem, de acompanhar a bateria e tal...

Plato & Frank sempre foi mod, mas de uma forma acústica, então a gente fez de certa forma uma inovação. A gente sempre colocava no release: “Lírica e satírica de Plato e Frank”. A gente incorporava seres como o Nero, com aquele olhar, uma coisa bem cafajeste... Uma coisa muito especial, eu acabava rindo de mim mesmo.

O Momento 68 foi um momento de experimentação em outro estado, sendo que a gente acabou não podendo ficar junto, porque eu morava aqui e o Sandro Garcia em São Paulo. A gente não podia ficar se visitando facilmente porque o dinheiro era curto. Uma banda carregada de psicodelia, no nosso cd Onde Estão As Suas Canções, a gente gravou I Can’t Explain do Love e Golden Hair do Syd Barrett, o disco varia do psicodelismo para o garage, com uma versao dos Troggs. E tem uma bem hardcore com um pouco mais de 1 minuto e uma guitarra ácida, tem outra música que é uma valsa, com a gaita do Ed Jr., que é o “negãozinho” bem do tempo do The Charts (NE – excelente banda mod paulistana que Sandro Garcia fez parte durante as décadas de 90) .

Depois tive Plato & Os Analógicos, que é o meu grupo atual. É um grupo mais de garagem que mistura vários elementos também, como Strokes, Velvet Underground, Talking Heads, e com boas tacadas, porque eu sinto que a gurizada tem o jazz no corpo. O final das músicas me surpreende muito. Eles já vinham tocando juntos como Os Analógicos, já tinham aquela experiência de fazer finais diferentes. Eu vejo eles hoje em dia como a banda capaz de sustentar os clássicos que criei, temos ali Amônia da Lovecraft, Tiros De Cristal e Romance Mórbido do Plato e Frank. Acho que é a minha banda do momento.

Falando sobre projeto Frank & Plato, as gravações do disco elétrico estão concluídas?

Bah... Às vezes eu telefono pro Frank: “E aí Jorca, como tá o nosso disco?” e ele diz: “É só marcar Plato...” Só que eu nunca tenho a coragem de ir lá no Thomas e marcar. A gente fez tudo isso tão certinho, eu tenho medo de pegar um momento em que o Frank não possa. O disco tá pronto desde 98, está todo gravado de forma elétrica, o Frank gravou quase todos os instrumentos. Tem um efeito de cordas que eu levei, um sample de um disco do Hitchcock.

Tem previsão de lançamento?

Acho que não. Esse ano tá meio difícil já que Frank vai ser prefeito de São Leopoldo ou secretário de cultura. É muita loucura, é brincadeira. Estão faltando o creme de la creme das vozes. A gente tem que por vozes em cima da voz guia....
No baixo tocou o Régis Sam e na bateria o Gésner, que hoje é batera do Maria do Relento. A única participação especial é do Flávio Telles, guitarrista dos Charts. Na mesma época do Montehey Popstock eu falei pra a gente ir lá pro estúdio fumar um baseado... E ele foi com a guitarra e os 3 pedais, flanger, delay e wah wah. Ele disse: “Tu fica aí batendo e eu fico aqui tocando”. Ficou espetacular.


Já que você citou o Montehey Popstock, fale um pouco sobre o festival. Foram três edições né? Alguma possibilidade de acontecer o quarto?

Acho que pra mim esgotou, senti uma espécie de excesso. Uma coisa me diz que esgotou, um rapaz chamado Munirque, que sempre hospedava as bandas, já que morava perto do Garagem Hermética, se mudou, de forma que as bandas não têm mais lugar pra ficar.

Como foram os festivais?

Bah! Os festivais foram um arraso, não quero puxar brasa pro meu lado. As performances do Júpiter Maçã, Frank e Plato, Empresa Pimenta, que inclusive fez um final bem Sonic Youth com aquela microfonia e eu dizendo uma poesia matadora... Ficou bem The Doors! No show do Júpiter, eles pegaram a microfonia nossa e fizeram um barulho, como se tivesse uma espécie de irmandade. Teve até a Tea House´s Band com aquela cantora, que fez ótimo show. Eles faziam um som meio Gerry And The Pacemakers, meio 64, mas nesse dia eles tocaram aquela música Venus do Shocking Blue, que ficou com 15 minutos, parecido com Marque Moon do Television.
Foi o dia que mais lotou na primeira edição em 1997. Foi um festival pra botar os cds na roda. Os Charts e o Júpiter estavam lançando.

A segunda edição foi no ano seguinte, com Divine de Brasília, Bee Scott de São Paulo, uma folk singer tipo a Odetta, uma negona do blues que tocava violão, e teve a terceira edição em 99 com Os Sandálias, Pipodélica, mas ai o Garagem Hermética se mudou... O último foi num palco maior. Bah, foram festivais do caralho! Me lembro do show dos Charts, eu e o Frank Jorge dançando bem mods.

Sua capacidade artística não se limita apenas à música, é verdade que você já esteve envolvido com o cinema?

Eu fiz alguns curtas em Novo Hamburgo, basicamente como roteirista. Fizemos um filme chamado Édrange, um filme de 3 minutos. Chegou a passar no Casa de Cultura Mario Quintana, e os filmes iam saindo. Acho que eles nunca irão ganhar a luz do dia. Torço para que apareça algum financiador.

Quais as principais dificuldades de ser um artista independente no Brasil?

Acho que as coisas estão sempre se iniciando, se reinventando... As amizades que você tem, seu círculo de amigos. Então você pode jogar os dados como se fossem uma peça de um dominó. A gente que tem o poder de decidir coisas culturais, tem mais é que poder fazer... E que seja assim pra todas as pessoas, que façam, que tenham....

Fale um pouco sobre o seu selo Krakatoa Records.

Ela surgiu em 1988, sempre lançando coletâneas em k7, e vendiam 300, 400 copias. Naquele tempo tu não sabe como vendiam essas cópias. Eu ia nos jornais, entregava esses releases, as fitas, aí saía uma matéria e as pessoas corriam atrás. Eu botava numa loja só, a Toca do Disco. As pessoas iam lá e ficavam muito felizes, ao ponto de pedir os hits de cada banda, e as bandas iam aparecendo, eu me considerava um dos bruxos que mexia no caldeirão dos independentes

Você é responsável pela “descoberta” de bandas gaúchas para a coletânea Brazilian Pebbles 3, que sairá pela gravadora Baratos Afins. Como funcionou o processo de escolha das bandas?

Eu peguei algumas bandas e mandei pra lá... Pata de Elefante, Os Invisíveis, eu nem ouvi a banda, vi a arte do disco e gostei... Suco Elétrico também.

Atualmente, quais as novas bandas que você destacaria no cenário musical brasileiro e gaúcho?

Gostei dos Sandálias, Pipodélica, Faichecleres, gosto muito da energia da gurizada... Os Fantomáticos, Cachorro Vadio, que tem um cara com um bigode e eles tocam com uma noiva do lado. Eu gosto também do Plástico Lunar de Sergipe...

Dê um breve conselho para as bandas que estão começando.

Bah!! Vocês têm que ter garra! Eu acho que as bandas novas têm que começar a compor, colocar os hits na rádio, para mostrar a sua atitude e não queimar o filme. Isso é essencial.

O que você acha da Cachoro Grande, que está se destacando em quase todo o pais atualmente?

Acho que pra mim não acrescenta muito, é o tipo de banda que estoura, tipo Tequila Baby.... Pra mim é uma bomba atômica!

Cachorro Grande ou Armandinho (NE – Popular “bomba” reggaeira da música porto-alegrense) ?

Armandinho!!(risos) O cara é meu amigo pelo menos. Eu estava no estúdio do Thomas ensaiando e chegou o Armandinho: “Tu é o Plato?” O cara me reconheceu e me deu um abraço, ele tava com aquela roupinha dele, camisetinha... (risos)

Não rola uma parceria pro futuro? Um disco de reggae psicodélico?

Eu tocaria! Um dub fantasmagórico... Eu tocaria com ele com o maior prazer.

Como você vê o atual mercado de shows independentes em Porto Alegre?

Tem as segundeiras do bar Dr. Jekyll, tem as quartas no Ocidente. A gente tá convivendo com shows múltiplos aqui em Poa, eu acho que deveria haver mais chance para as bandas, mas agora que o pesssoal do Fogaça (NE – atual prefeito de Porto Alegre) se aliou ao partido comunista, tá difícil acontecer alguma coisa.

Você acredita no rótulo Rock Gaúcho? Realmente é tão diferente do rock do resto do país para merecer tal alcunha?

Acho que sim né, acho que tem que haver essa disparidade em todos os estados do Brasil, pra poder haver essa persuasão, esse jogo de corpo, essa malicia. Acho que é saudável, pras bandas poderem crescer e se olhar.

E por que música pop rock feita no Rio Grande do Sul fica restrita ao público do estado, não se difundindo pelo resto do país?

Eu vejo essa tendência desde os anos 80. Quando eu conversei com o Frank, ele me disse sobre a tendência das bandas se auto-sustentarem tocando no interior, na capital e até fora do país, mas não deixando de tocar nos outros estados. Eu acho que isso é a tendência mais correta. Tocar aonde der.

Você acha que a influência da música sixtie na cena gaúcha está diminuindo?

Eu acho que as bandas dos anos 80 eram influenciadas por dark, punk, new wave... Eu sinto que nos 90 as bandas foram com mais afinco nos anos 60, até com um ramo Mod. Acho que o rock no brasil é isso, um enorme conglomerado de coisas que convergem para um único ser. Tem muita gente que despreza o underground, faz carinha feia... Mas são as melhores bandas, são as pepitas, as ostras!

Nos anos 60, as drogas tiveram bastante influência nas direções musicais tomadas pelas bandas. Você, como um músico bastante influenciado por aquela década, também sente que as drogas de certa forma ajudam a direcionar a sua carreira?

Sim, claro. Acho que já aconteceu isso mas num ponto em que eu não consigo me lembrar. Devo ter tomado um chá de cogumelo com a Pére Lachaise, um baseado... Meu grande lance mesmo foi a minha irreverência, e a forma com que eu trato as coisas, a loucura... Sempre com essa aflição de deixar claro às pessoas que não se trata apenas de mais um rei maioral, e sim de um louco sangrando.

O que está tocando atualmente no seu cd player?

Ah! Agora sim! (risos)
Estou escutando bastante coisa, uns cds de lounge, um disco de versões singelas dos Beatles chamado I Am Sam, a caixinha The Love Story, da banda californiana Love. Eu fiz uma fita pra viajar com muito Music Machine, Creation, música do compacto do Momento 68 O Dia-a-dia De Um Musicista Clean. Eu escrevi na fita “master new voyage”. Gosto também de um guitarrista chamado Jeffrey Lieberman e o Absolutely Free do Frank Zappa. É muito louco, as músicas são coladas. Até o cd Aka Benzina do Edgard Scandurra eu estou escutando.

E as novidades internacionais, você tem escutado alguma coisa?

Eu e o Graxa (baterista dos Analógicos) estamos escutando muito os cds dessas bandas da linhagem do Vines. Eu gostaria de dizer uma banda que as pessoas têm que ouvir, é muito boa, o vocalista é um negão: os Dirtbombs. Tem um cd que eles fizeram em homenagem a soul music, eles cantam Sly & The Family Stone, Funkadelic, Etta James, várias músicas... Mas eu tenho escutado muito um cd de 68 chamado The Live Adventures of Al Kooper & Mike Bloomfield. É um show matador, com versões de Ray Charles, Green Onions do Booker T & The Mg’s, um dos hinos dos mods. To escutando também o cd The Best Of Tropicalia que tem Caetano e Gal cantando músicas do disco Domingo, Jorge Ben... Coisas mais suaves.

Qual o seu grande ídolo?

São três caras que eu pesquiso muito, que têm muita obra, muito compacto, Marc Bolan, Syd Barrett e Donovan. Essa menina que está namorando o Júpiter agora, a Talitha Freitas, me deu piratas do Marc Bolan tocando coisas do balacobaco. O que existe na galáxia Bolan é das maiores. Conheço uma garota que esteve em Cambridge, que entrou em uma casa e viu duas figuras. Ela acha que eram Barrett e sua mãe, eu acho que é mentira dela.

Diga os 5 discos fundamentais para Plato Divorak.

Forever Changes do Love, Canibalism do Can, The Piper At The Gates Of Dawn do Pink Floyd, Sgt. Peppers dos Beatles e o segundo disco dos Mutantes.

O brasileiro é um povo de memória curta quando o assunto é a música. Plato Divorak será lembrado pelas futuras gerações?

Bah! Não fala isso! (risos)
Acho que sim, pelos contatos que tenho, que levarão essa chama adiante, não me restam dúvidas. Fernando Rosa, Ricardo Alexandre, Sérgio Barbo e pelo público que me viu e que me escutou em k7s. Pode crer que a chama ficará acesa!

Agora vamos falar sobre os seus novos lançamentos. Primeiro o disco ao vivo.

Ele se chama Cartas Ao Garoto De Sábado.

Graxa – Não... É Cartas PARA O Garoto de Sábado...
(Nesse momento incia-se uma discussão entre Plato Divorak, sua irmã e o baterista dos Analógicos Graxa, sobre qual nome soaria mais poético)

Graxa – A gente pretende manter o disco na internet, porque ele vai ser o motivo pelo qual as pessoas vão acessar nosso site, depois do aniversário de um ano de desatualização. Teve até show comemorativo. Agora vai ter o site novo com o disco e arte gráfica disponíveis. Por enquanto está na Trama Virtual. Foi também um disco que a gente fez para finalizar o set e a formação de 2004. A idéia foi registrar o momento.

E aonde foi gravado?

Graxa – Foi gravado no estúdio do Thomas Dreher. A gente chamou uns 30 amigos para dentro do estúdio para que ficasse mais fácil a gravação, com estrutura. Agora para 2005 vamos mudar o set, que estará mais voltado para o novo disco do Plato, Calendário Da Imaginação, que já está gravado há tempos e está sendo muito aguardado por todos.

 


Calendário da Imaginação
(2005, Baratos Afins)

Plato, fale sobre o Calendário Da Imaginação.

Saiu pela Baratos Afins. É um disco gravado com um grupo de músicos chamado Os Sha-Zans, que lida com os expansores da mente e musicais também. Tem cebion no copo d’água, acordeon, som de elevador. Eu trabalho com o imaginário popular.

Vamos fazer um faixa-a-faixa com algumas músicas do disco.

Segunda Vinda, Segunda Revolução - É a minha A Day In The Life. Tem partes fragmentadas que chegam ao ápice no meio dela, aonde existe uma explosão com violinos e orquestras.

Antiglitter - Ela tem uma guitarra bastante glitter. O Plato & Os Analógicos tocam ao vivo. É a única que está no disco ao vivo e no Calendário Da Imaginação.

Scratching Strings – Uma parceria minha com o Júpiter Maçã. A gente escreveu a letra na casa dele. Ele acabou tocando violão e cantando, eu toquei minha cítara de juazeiro e depois voltei pra colocar uma poesia no meio. A música foi se moldando aos poucos.

Toda Glória De Geléia Raio-X - Em parceria com o Regis Sam da banda Justine. Essa música foi feita para a Lovecraft, e a transformei num dos hits do disco.

Roni – Eu gravei os elevadores com a minha namorada, vindo desde o subterrâneo até o terceiro andar. Depois no estúdio eu reduzi o espaço dela. É o que eu imaginava de um cara meio bossa nova, gola rolê, um personagem que na época eu inventei, na época era o Beto Nickhorn (ex-guitarrista do Lovecraft). A música é uma letra de jovem guarda de expansão.

Pipex/Vibrato – Um amigo de São Paulo chamado Roberto, baterista do The Charts, me mandou uma gravação do álbum dos Kinks Arthur Or The Decline And Fall Of British Empire, e a música Australia tava arranhada. Eu peguei essa célula e ficou uma música com metais fortíssimos, e nós botamos um efeito de guitarra em cima.

Sparkling Stars – Mostra minha influência mais orientalizada, começa com as palmas e vão entrando baixo, efeito com o violão e também o som da cítara de juazeiro.

O Charme De Fumar No Escurinho – Uma música carregada de sanfona, fiz ela pensando numa gata que eu comia na época.

Telling Everybody – Feita com o Edu K, que tocou todos os instrumentos. Eu só cantei em cima, e no final ele disse que ficou parecido com Young Americans do David Bowie.

Love In free Art Form – Amor na forma livre de vivê-la, eu toquei baixo. A música é linda, um be bop com influência de Marvin Gaye, soul music, com Let´s Get It On, maravilha! O Edu k tocou suas guitarras lembrando os discos de Isaac Hayes, aquelas notas agudas.

(Siga) Meu Brother Diamond – É uma canção feita sobre a minha pessoa, muito linda por sinal. Uma bela música. com os músicos alcançando a expansão necessária, “sinta no vento as palavras de amor”.

Pensa Demais – Rock’n’roll. Essa musica já foi um hit, é realmente bonita.

 

para comprar o cd: www.baratosafins.com.br

 

 
     

 

 
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