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ASTRONAUTA PINGÜIM por Roberto Iwai A ideologia dos gaúchos
às vezes beira ao passado mais reluzente que o próprio presente
daquela época. É sempre assim com os estilos que pegam e
fogem daquela estética boba: "atualizam". O que o Weezer
fez sem nem saber o que é jovem guarda, mas pegando Beatles nas
alcunhas, e juntando peso e outros itens que os tornam alternativos. Ora, Lafayette simplesmente revolucionou a jovem guarda. Até porque a jovem guarda foi uma revolução tremenda para os jovens na época. Não temos lá nossos LSD's, raves e sons eletrônicos no começo do século XXI? Não soará assim tão ingênuo para uma juventude que caminha com tapadeiras de olhares de burros, com o mais "moderno" em forma de cenoura? Não seja prepotente, é claro que tudo vai se tornar obsoleto à medida que o tempo passa. E é por isso que 1969 se torna tão atraente em 2004. Afinal, o que é ser moderno? Com timbres assim, eu quero morar em Porto Alegre. Jesus Voltará, e lá ele vai estar. Astronauta Pingüim e seu Petiscos: Sabor Churrasco - Switched-On Bah! fez tudo isso. É lágrima? É timbre? É órgão choroso? Sim, são todos por todos os lados. Quem imagina o ser que vivesse
nos anos 60. Que nunca imaginaria um dia fosse ouvir uma versão
instrumental de uma canção que estava presente em seu recinto
todos os dias, que cantarolava as letras e não concebia nem por
decreto outra forma mais perfeita do formato som em seus ouvidos, ver
de repente Lafayette transmutar a música em bailes fervorosos por
toda a sociedade da época? Em minha mente, já
no imaginário pontuante, são os órgãos, vocoders
e moogs que Astronauta usa, em substituição à voz
na original canção. Versões baile de hinos como "Um
Lugar do Caralho", de Júpiter Maçã, ou "Nunca
Diga", da Graforréia Xilarmônica, parecem ter sido tiradas
de alguma das antigas coletâneas de hit parade e canções
de ternura de amor e rouquidão com catarro nas goelas. É
quase terapêutico degustar as transformações que as
canções sofreram, ver cada detalhe, os sons peculiares que
a banda que o acompanha, e ele próprio, escolheram para identificar
uma composição de terceiro em uma interpretação
particular de música.
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