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GEORGE A. ROMERO
por José Pedro Lopes
Apesar de não ser muito conhecido do grande público, George A. Romero é um nome que soa mais que familiar a qualquer fã do cinema fantástico ou de terror, e cujo trabalho foi tão importante e decisivo para a sétima arte que ainda hoje vemos repercussões de uma carreira que começou nos anos 60 e que não teve mais do que 20 títulos. Nascido em Nova Iorque em 1940, George A. Romero começou cedo a filmar anúncios e curtas-metragens através de uma pequena produtora que montou com amigos - a Image Ten Productions. O primeiro longa-metragem, feito com um orçamento reduzidíssimo em 1968, foi o clássico "Night Of The Living Dead" (A Noite dos Mortos Vivos), que ainda é, sem dúvida, um dos mais importantes filmes da história do cinema fantástico.
Não tendo sido um sucesso imediato, "Night Of The Living Dead" veio a conquistar o seu público com o tempo, como um filme “underground” na altura – os seus níveis de violência provocaram muita polêmica e o filme chegou a ser banido – e dando a Romero dinheiro suficiente para continuar a insistir no cinema fantástico do baixo orçamento com títulos como "The Crazies" (1973), "Hungry Wives" (1974) ou "Martin" (1977). Décadas depois, "The Crazies" – sobre um vírus que devasta a zona da Pensilvânia – ganhou o status de filme cult e está prestes a ser refilmado. Entretanto, as relações entre Romero e a produtora Image Tem foram-se deteriorando, nomeadamente porque pouco foi o dinheiro de "Night of the Living Dead" que foi para os bolsos da sua produtora, a qual não sabia negociar termos de troca. Aqui também as relações entre Romero e o argumentista John Russo, criador do roteiro, terminaram. Russo tornou-se um inimigo de Romero, tendo extorquido dinheiro da saga "Night of the Living Dead" até à exaustão, como pode ser visto na seção abaixo – Filmes paralelos à quadrilogia.
Em 1978, associado com uma produtora italiana – representada pelo lendário Dario Argento – Romero filmou "Dawn of the Dead", mítica seqüência do filme de 1968, e que foi um enorme sucesso comercial. Sem nunca ter entrado no mundo de Hollywood – o qual Romero não apreciava – o autor conseguiu assim fazer títulos do fantástico de baixo orçamento ligeiramente mais ambiciosos, como "Knightriders" (1981) ou "Creepshow" (1982) – que marcava a primeira de muitas colaborações entre Romero e o romancista Stephen King. Em 1985, Romero voltou ao trabalho com a terceira parte da sua saga de zombies, "Day of the Dead", mais ambicioso e mais caro que os anteriores – mas um verdadeiro fracasso comercial. A essa altura, a carreira de Romero não evoluiu mais e com a queda do cinema de terror B, no final dos anos 80, não houve muito espaço para realizadores como ele. Em 1988 fez o assombroso "Monkey Shrines", que venceu vários prêmios no Fantasporto (NE: festival de cinema fantástico de Portugal), e em 1993 voltou a adaptar uma obra de Stephen King, "The Dark Half". Ambos os filmes não tiveram a repercussão dos trabalhos anteriores de Romero, e este entrou num longo retiro silencioso, que para muitos fãs foi interpretado como o fim da carreira do autor. Mesmo filmes como o remake de "Night of the Living Dead", que Tom Savini (técnico de efeitos gore de Romero) fez em 1990, foram um fracasso. Contudo, este silêncio foi interrompido em 2000, com "Bruiser" – um filme muito estranho e incompreendido na altura – que falhou terrivelmente tanto com público e crítica. Com este fracasso final, seria fácil prever que Romero estivesse se despedido de vez. Mas no cinema fantástico nada morre pra sempre e assim, com o despertar de sucessos como "28 Days Later" (2003), "Resident Evil" (2003) e o espetacular remake de "Dawn of the Dead" (2005), várias pequenas produtoras uniram-se e financiaram uma quarta parte da saga de zombie para ser realizada por Romero. E assim surgiu "Land of the Dead" (2005).
Land of the Dead marca a quarta investida na saga, constituída por "Night of the Living Dead"(1968), "Dawn of the Dead" (1978) e "Day of the Dead" (1985). O projeto original para uma seqüência chamava-se "Twilight of the Dead", e já estava nos arquivos de Romero desde os tempos de "Bruiser" (2000). Porém, ele nunca conseguiu levar a idéia à frente por não ser muito comercial e não ter financiadores interessados. Originalmente, na história de Twilight, os zombies tinham conquistado o mundo e poucos eram os humanos que sobravam. Os zombies já estavam decompostos a tal ponto que já não eram uma ameaça, apenas um incomodo, e os sobreviventes tentavam reconstruir as suas vidas enquanto lidavam com o embaraço que estes representavam. O projeto de "Twilight of the Dead" foi também arquivado na época pelo envolvimento de Romero em "Resident Evil" (2003) para o qual ele escreveu um argumento e chegou a ser comentado como realizador. Mas Romero não queria um "Resident Evil" muito comercial, e os produtores escolheram Paul S.Anderson (“Alien Vs Predator”). Finalmente, com o sucesso de filmes como "28 Days Later" e o remake de "Dawn of the Dead", várias pequenas produtoras uniram-se e deram luz verde a este “Land of the Dead” – um Romero mais comercial, mas um filme de zombies com uma atitude e uma garra como já não se fazem. Em “Land of the Dead” poucas são as comunidades de humanos que sobram e os mortos dominam a terra. Com os anos, a situação pareceu estabilizar-se. Os humanos já têm a sua vida organizada dentro deste cenário apocalíptico. O problema é que com a evolução da espécie zombie, estes começam a ganhar inteligência e tornam-se numa ameaça bem mais perigosa. Curiosidades Land of the Dead custou apenas 15 milhões de dólares, um valor muito baixo para um filme feito no ano 2005. Tom Savini – técnico de efeitos gore do segundo e terceiro filme, e ator no segundo – faz uma ponta como zombie no novo filme. O zombie líder, Big Daddy, é uma evolução de um conceito que Romero introduziu em "Day of the Dead", na personagem do zombie Bub.Filmes paralelos à quadrilogia
FILMOGRAFIA A saga "Night of the Living Dead" foi alvo de muitos processos em tribunal e disputas de direitos, que geraram muitas seqüências erráticas. Apresentamos abaixo, de forma cronológica, todos os "filhos" bastardos de Romero:
(1985) (1988) (1990) (1993) (1998) (2001) (2004) (2005) (2006)
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