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PRELÚDIO PARA MATAR
por Felipe M. Guerra
"This
young Italian guy is starting to worry me!"
Argento sempre foi comparado com Hitchcock pela imprensa americana, inclusive sendo apelidado, por muito críticos, de "Hitchcock italiano". Era considerado um herdeiro do talento e do virtuosismo do cineasta inglês antes de surgir o americano Brian DePalma com seus tributos assumidamente hitchcockianos. Embora a comparação com a obra do velho Alfred não seja nada pejorativa, a verdade é que o trabalho de Dario Argento tem vida própria. Ele deu um novo verniz (e até certo "glamour") a um dos subgêneros italianos mais desgastados e populares, o "giallo", tipo de filme de suspense onde maníacos com traumas de infância, normalmente vestindo chapéu, casacão e luvas de couro, exterminavam belas garotas com facas brilhantes e pontiagudas. O apelido (giallo significa "amarelo", em italiano) evoca a cor da capa de antigos livros vagabundos com histórias de mistério e horror, lançados a preços populares nas bancas italianas. O cineasta teve uma bem-sucedida incursão pelos gialli na sua chamada "Trilogia dos Animais" (graças ao nome de animais nos títulos): começou com O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL (1970), continuou com O GATO DAS NOVE CAUDAS (1971) e encerrou com QUATRO MOSCAS SOBRE VELUDO CINZA (também de 71). Concluída a trilogia, Argento achava que era hora de mudar de ares - principalmente devido ao fracasso comercial de QUATRO MOSCAS..., que até hoje não foi devidamente relançado pela sua distribuidora, a Universal. Inicialmente, ele tentou levar o giallo à TV italiana, através de um programa produzido por ele para a emissora RAI, intitulado LA PORTA SUI BUIO. Eram curtas histórias de mistério com menos de uma hora de duração, algumas dirigidas pelo próprio Argento, outras por cineastas italianos como Luigi Cozzi e Mario Foglietti. Encerrada esta experiência televisiva, Dario tentou mudar de gênero no cinema; mas a experiência fora da sua especialidade (suspense e violência) não foi boa. Filmado em 73, LE CINQUE GIORNATE enfrentou todo tipo de problemas, começando com desistência de atores e terminando com críticas demolidoras à produção - o próprio Argento faz coro e considera este o seu pior trabalho.
PRELÚDIO PARA MATAR surgiu em 1975 e foi inicialmente concebido como um quarto episódio com nome de animais no título, ampliando sua famosa trilogia para uma quadrilogia - o nome de trabalho era "O Tigre dos Dentes-de-Sabre". Depois, Argento preferiu desvincular PRELÚDIO PARA MATAR de seus primeiros trabalhos e fazer algo completamente diferente. Com a palavra, o próprio Dario (em frases retiradas da entrevista que circula no DVD lançado nos Estados Unidos pela Anchor Bay): "Quando eu fiz QUATRO MOSCAS NO VELUDO CINZA, comecei a pensar que se fosse dirigir um thriller novamente, faria ele diferente. Por isso PROFONDO ROSSO traz uma nova maneira de usar a câmera. Pode até parecer um filme bem mais sangrento e violento também, mas não é verdade. Ele foi feito como se fosse um pesadelo, por isso certas coisas são exageradas". Em relação aos trabalhos anteriores, percebe-se claramente o progresso e a maturidade de Argento como cineasta e principalmente como contador de histórias. Embora eu seja um grande admirador da obra de Dario, PRELÚDIO PARA MATAR será, provavelmente para sempre, meu filme preferido do diretor. Pode até soar meio clichê, mas Argento, neste seu retorno apaixonado ao gênero que o celebrizou, parece um pintor concebendo uma tela cheia de detalhes. Em muitos momentos, as cenas lembram uma pintura - onde o vermelho profundo ("profondo rosso") se destaca em poças de sangue, cortinas, paredes... O próprio Argento considera PRELÚDIO PARA MATAR sua obra mais famosa e mais bem-sucedida. Ele nasceu de uma bem-sucedida parceria de Dario com o roteirista Bernardino Zapponi, um contumaz colaborador de outro cineasta italiano que nada tem a ver com horror e violência: Federico Fellini. A única incursão de Zapponi no gênero fantástico foi a adaptação de um conto de Edgar Allan Poe que Fellini dirigiu na clássica antologia HISTÓRIAS EXTRAORDINÁRIAS (ironicamente, o próprio Argento também adaptaria um conto de Poe, "O Gato Preto", alguns anos depois, em DOIS OLHOS SATÂNICOS). Foi graças ao trabalho de Zapponi naquela adaptação de Edgar Allan Poe que Dario convidou-o para escreverem PRELÚDIO PARA MATAR em conjunto; inclusive Dario declara que, hoje, não sabe dizer quanto do roteiro é invenção dele e quanto foi criado por Zapponi, tal a integração entre as duas mentes criativas. Na entrevista que acompanha o DVD da Anchor Bay, Bernardino Zapponi tenta elucidar a dúvida: "Argento surgiu com a idéia de um congresso de parapsicologia, onde a médium sente a presença de um ser diabólico. A partir daí, começamos a escrever a história. Tem muitos elementos que remetem à infância, como a criança, o boneco, a cantiga infantil, a música do Goblin... E a idéia da morte no elevador surgiu aqui na minha casa. Eu lembro que Dario observava o velho elevador do prédio com muito interesse, fascinado pelos seus movimentos".
PRELÚDIO PARA MATAR começa com uma cena importantíssima que praticamente entrecorta o começo e o final dos créditos iniciais: a câmera emoldura a sala de uma casa em um belíssimo widescreen, mostrando uma vitrola que toca um disco de cantigas infantis (a mórbida musiquinha será executada várias vezes durante todo o resto do filme), e um pinheiro de Natal decorado ao fundo. Através de sombras projetadas na parede, o espectador percebe que alguém está sendo esfaqueado fora da cena e dá um grito agonizante. A faca ensangüentada cai no chão, dentro do plano da câmera, e então alguém calçando sapatinhos de criança entra em cena e se aproxima da faca. Os créditos continuam. Sabe-se, desde o começo, que alguém matou e alguém morreu, e uma criança estava envolvida no crime. Mais uma vez, um giallo evoca um trauma de infância para justificar os motivos do assassino. Ou não? Somente muito mais tarde que a tal cena será novamente trazida à tona, explicando qual a relação daquele crime misterioso com os assassinatos que serão praticados ao longo da película. Em seguida, somos rapidamente apresentados ao nosso "herói", Marcus Daly (o inglês David Hemmings, falecido recentemente, e aqui numa de suas melhores interpretações). Marcus - ou Marc, como é chamado pelos amigos - é um compositor e pianista inglês que está dando aulas de jazz num conservatório musical em Roma; à noite, também se apresenta num clube noturno com o amigo e pupilo Carlo (Gabriele Lavia). Da aula de Marcus o filme corta imediatamente para o momento mais importante da trama, aquele onde Argento apresenta a complicada situação que dará origem ao pesadelo: a câmera subjetiva, que se movimenta como se fosse o vilão, entra num luxuoso saguão onde está acontecendo o Congresso Europeu de Parapsicologia. O espectador acompanha tudo como se fosse o vilão, atravessando as cortinas cor vermelho profundo (olha o "profondo rosso" aí de novo...) e caminhando pelo corredor até acomodar-se numa das fileiras da platéia.
No palco, o professor Giordani (Glauco Mauri), ladeado pelo professor Barni (Piero Mazzinghi), apresenta Helga Ulman (Macha Méril), uma médium vinda da Lituânia para demonstrar seus fantásticos poderes psíquicos. Quando Helga está para iniciar sua apresentação, tem convulsões e entra em choque. Ela "sente" uma presença maléfica na platéia - não por coincidência, é o vilão que vimos entrar, do ponto de vista da câmera, momentos antes. Diante dos olhares confusos dos espectadores, e dos próprios Giordani e Barni, Helga começa a recitar frases desconexas, com os olhos vidrados na multidão. "Entrei em contato com uma mente perversa! Você matou, e vai matar novamente!", balbucia a médium, em seguida gritando: "A canção infantil e a casa... E o sangue, todo aquele sangue! Precisamos esconder tudo na casa para que ninguém saiba o que aconteceu... Para sempre!". No final do Congresso, Giordani e Helga conversam no auditório vazio sobre a visão que ela teve. "Eu senti seus pensamentos cruéis e ao mesmo tempo infantis", diz a médium, que garante ter condições de identificar o criminoso. Ela promete deixar uma explicação por escrito para Giordani no dia seguinte. Mas, para seu azar, alguém (novamente a câmera subjetiva de Argento) observa - e escuta - a conversa, escondido atrás de um pilar.
Então, num dos mais belos momentos do filme, a câmera passeia, num longo take sem cortes e em superclose, sobre uma mesa repleta de objetos infantis, como uma boneca com alfinetes espetados e bolinhas-de-gude, até chegar a facas afiadas e brilhantes. Um novo superclose apresenta o misterioso personagem - cuja identidade, óbvio, só será revelada no final -, pintando os olhos. O assassino sabe que será obrigado a agir, preservando seu segredo com a morte da médium que pode identificá-lo. A pobre Helga está em seu estiloso apartamento, repleto de pinturas grotescas de arte moderna (representando carrancas e bizarrias diversas), quando escuta uma misteriosa cantiga infantil ecoando pelos corredores - a mesma cantiga do início. Enquanto isso, alheios à conspiração que em breve irá enredá-los, Marcus e Carlo bebem numa rua deserta. A alegria da dupla de amigos é entrecortada por um grito arrepiante - quase tão horrível quanto aquele da introdução do filme. É Helga, que neste momento está sendo atacada pelo assassino em seu apartamento, a golpes de cutelo filmados com detalhes (novamente, o "profondo rosso" se mostra ao espectador, através do sangue num vermelho claro, vivo). Carlo fica para trás, mas Marcus consegue correr até o prédio onde o crime está acontecendo e chega bem a tempo de ver o derradeiro golpe do assassino: numa única facada, ele faz com que o rosto da vítima atravesse o vidro da janela, rasgando sua garganta nos cacos. Sem nem pensar no perigo, Marcus corre até o apartamento, mas Helga, claro, já está morta. A polícia chega, o músico presta seu depoimento e entra em cena a repórter bisbilhoteira Gianna Brezzi (Daria Nicolodi, em seu primeiro trabalho com Argento, seu futuro companheiro). Tentando conseguir informações mais detalhadas para a sua reportagem, Gianna aproxima-se de Marcus, que, àquela altura, acredita ter visto um detalhe muito importante na cena do crime, mas não consegue lembrar o que era - lembra de O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL? O detalhe, segundo o músico, estaria relacionado a um dos quadros de arte moderna pendurados no corredor entre a porta da frente do apartamento da médium e o local onde ela foi encontrada morta. Será que a pintura revelava algum detalhe importante e foi roubada pelo assassino? Após o velório de Helga, Gianna publica uma reportagem de capa estampando a foto de Marcus como testemunha ocular do bárbaro crime. "Eu queria te agradecer por isso", ironiza Marcus para a jornalista. "É sempre bom atrair a atenção de assassinos". Obviamente, a reportagem realmente atrai as atenções do psicopata, que, temendo novamente ser identificado, resolve eliminar o músico. Sabendo que é o próximo alvo, Marcus não vê outra alternativa: com a ajuda de Gianna, precisa investigar o assassinato de Helga e tentar descobrir qual é o detalhe que ele viu no apartamento da vítima na noite do crime, para poder identificar o psicopata e entregá-lo à polícia. PRELÚDIO PARA MATAR é uma obra fantástica em todos os sentidos: parece melhor a cada vez que se assiste, e novos detalhes, antes imperceptíveis, vêm à tona a cada revisão. A intrincada trama está repleta de detalhes aparentemente sem relação (mas que, milagrosamente, se relacionam). O excesso de pistas falsas e de suspeitos também é uma prova do talento de Argento e Zapponi, que não raras vezes mesclam os clichês do "giallo" (assassino traumatizado com luvas de couro, crimes violentos) com toques de horror (as premonições da médium, uma mansão "assombrada", um esqueleto escondido). O roteiro da dupla ainda brinca de confundir o espectador, concebendo uma trama onde todos, sem exceção, são suspeitos, talvez excetuando-se apenas o próprio Marcus (porque foi ele quem viu o crime com seus próprios olhos). Na verdade, PRELÚDIO PARA MATAR lembra uma versão "ampliada e melhorada" do primeiro longa do diretor, O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL, feito cinco anos antes. Em ambos, um "herói" ligado ao mundo das artes (escritor em O PÁSSARO..., músico em PRELÚDIO...) testemunham por acaso um assassinato através de uma vidraça (o vidro de uma vitrine em O PÁSSARO..., o vidro da janela em PRELÚDIO...), e em ambos a testemunha ocular visualiza, na cena do crime, um detalhe importantíssimo para a resolução da trama. Descobrir qual é este detalhe se tornará sua obsessão ao longo do filme, e a charada só será completamente desvendada no final (quando então os dois filmes reapresentam as cenas iniciais em flashback para o espectador ver que A SOLUÇÃO ESTAVA LÁ O TEMPO TODO!!!). Parece uma brincadeira com a própria magia do cinema, já que o próprio espectador, a exemplo dos protagonistas de ambos os filmes, "viu" o tal detalhe, mas não assimilou como algo importante. E Argento ainda homenageia BLOW-UP - DEPOIS DAQUELE BEIJO, de Michelangelo Antonioni, ao roubar o astro David Hemmings.
Além dos estilosos ângulos de câmera e dos cenários em vermelho forte, há um outro aspecto que se destaca fortemente em PRELÚDIO PARA MATAR: a música. Foi a primeira vez que Dario adotou um estilo menos minimalista e mais exagerado de música, quase uma "ópera-rock". O mérito é de um jovem grupo de músicos conhecidos apenas como "Goblins" (mais tarde, a banda adotou o nome no singular, Goblin). Argento os conheceu num conservatório de música, onde eles brincavam mesclando clássico e contemporâneo. E o cineasta estava justamente em busca de algo completamente diferente de seus filmes anteriores. Em O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL, O GATO DAS NOVE CAUDAS e QUATRO MOSCAS SOBRE VELUDO CINZA ele usara trilha do genial Ennio Morricone, mas sempre sem ficar completamente satisfeito com o resultado (!!!); no caso específico de QUATRO MOSCAS..., seu sonho era incluir composições originais do Deep Purple, fundindo horror e rock, mas não conseguiu vender a idéia. Argento sabia muito bem o tipo de música que queria em PRELÚDIO PARA MATAR e chegou a voar para Londres, onde tentou contratar o Pink Floyd para fazer a trilha (já pensou?). Com a recusa da banda, deixou o pepino nas mãos de Giorgio Gaslini, um talentoso compositor italiano. PRELÚDIO PARA MATAR é meu filme preferido de toda a obra de Dario Argento. Mas como o italiano esquisito não é Deus - ao contrário do que seus fãs mais fanáticos gostam de pensar -, gostaria de destacar alguns defeitos visíveis neste clássico incontestável. O principal é o relacionamento entre Marcus e Gianna, que nunca convence. Até acho que as cenas cortadas na versão americana, que mostravam os dois se encontrando e falando bobagem (um alívio cômico para a tensão natural da trama), realmente não fazem falta nenhuma. Dario ainda estica algumas cenas além do limite do suportável: é o caso da investigação noturna que o herói faz na velha mansão assombrada, que se arrasta por um tempo muito superior ao que deveria. Na tentativa de criar "clima", Argento coloca vários takes de David Hemmings perambulando pelo casarão escuro, subindo escadas, descendo escadas, escutando barulhos, indo investigar, e até levando um pedaço de vidro na cabeça (que se desgruda de uma das janelas do andar superior). A cena toda poderia ser bem abreviada, até porque a única coisa de útil que Marcus descobre no casarão é o desenho escondido atrás do reboco - e, posteriormente, uma sala secreta, mas não vamos falar muito sobre isso para não estragar a surpresa de quem ainda não viu o filme. Em comparação com a demorada andança pelo casarão, a cena final, do confronto entre o músico e o assassino, é muito rápida e apressada. Porém, uma coisa é inegável: a solução para o enigma que atormentava Marcus ao longo da trama é simplesmente genial. Principalmente porque aquele "detalhe" realmente estava lá, e é só voltar o filme para a cena do assassinato de Helga e passar quadro a quadro para perceber que poderíamos, assim como o herói, ter desvendado o mistério muito tempo antes, bastava prestar mais atenção aos pequenos detalhes. A resolução da trama inclusive tem semelhanças com o livro "A Maldição do Espelho", de Agatha Christie, lançado em 1962. Talvez não tenha sido uma mera coincidência: após o fracasso de LE CINQUE GIORNATE, antes de envolver-se com PRELÚDIO PARA MATAR, Dario foi procurado pelo produtor Dino De Laurentiis, que praticamente obrigou-o a ler 27 livros de Agatha Christie (entre eles, "A Maldição do Espelho") para que pudesse escolher um e fazer sua própria versão cinematográfica. Embora tivesse lido os livros, Argento não se sentia à vontade para filmar um texto que não era dele mesmo. Mas a inspiração para PRELÚDIO PARA MATAR, pelo visto, ele manteve. Outro grande trunfo são as exageradas cenas de violência. Argento e Zapponi queriam momentos que mexessem com os nervos do público. Eles achavam, por exemplo, que poucas pessoas no mundo conhecem a dor de se levar um tiro ou uma facada, mas todo mundo sabia o quanto doía enfiar a mão na água quente ou bater o joelho na quina de um móvel. É por isso que as cenas de morte em PRELÚDIO PARA MATAR envolvem elementos tão simples e ao mesmo tempo violentos como um pescoço cortado com cacos de vidro (quem nunca se cortou com vidro?), um pobre coitado tendo a boca batida repetidas vezes contra a pontuda quina de uma cômoda (quem nunca deu uma topada com o dedinho do pé?) e até uma antológica cena de morte no elevador, daquelas que é ver pra crer - e tome criatividade para pensar em algo tão genuinamente mórbido!!! Os efeitos especiais, bastante eficientes numa época em que não se falava no diabo do computador, são assinados por Carlo Rambaldi, o sujeito que fez os efeitos especiais de ET - O EXTRATERRESTRE, ALIEN e do KING KONG de 1976, e que há um tempão está desaparecido, sem assinar novos trabalhos...
Ao longo dos anos, PRELÚDIO PARA MATAR passou à história como um dos grandes clássicos na respeita filmografia de Dario Argento. O cineasta americano John Carpenter é um dos fãs apaixonados deste giallo originalíssimo, tanto que a música-tema de seu clássico HALLOWEEN é bastante parecida com a trilha principal do filme de Argento; além do mais, em seu episódio "Cigarette Burns" da série Masters of Horror (lançado em DVD no Brasil como PESADELO MORTAL), Carpenter colocou na trama um velho cinema que exibia PROFONDO ROSSO. Pode-se perceber influências até em trabalhos da nova geração: o fato do assassino de Argento usar um robô em forma de criança não lembra os autômatos utilizados por um famoso assassino recente, o Jigsaw da série JOGOS MORTAIS? Já as mortes filmadas por Argento foram infinitamente "homenageadas" em outras produções, de HALLOWEEN 2 (rosto mergulhado na banheira com água fervente) ao obscuro filme classe B KOLOBOS (cabeça batida na quina de um armário). Verdade seja dita: o que é bom, é para homenagear/copiar mesmo! Para concluir, vou pegar emprestadas as palavras do próprio Dario Argento no livro "Profondo Argento", sua biografia: "Eu queria que PROFONDO ROSSO incorporasse novas sensações, novas emoções e que dimuísse as fronteiras entre thriller e horror". Amém, Dario. Quem ainda não viu PRELÚDIO PARA MATAR simplesmente não sabe o que está perdendo...
* Versão editada pelo autor de um texto integralmente publicado no site Boca do Inferno |
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