O ABOMINÁVEL DR. PHIBES
UM CAVALHEIRO A SERVIÇO DO TERROR

 



 

 

por Leonardo Bomfim

 

É sempre mais legal torcer pelo vilão. E quando este vilão é um Vincent Price enfurecido e dono de um incrível repertório de assassinatos, a tarefa torna-se obrigatória. Em seu centésimo trabalho, o ator deu vida ao abominável Dr. Anton Phibes, um organista/cientista/médico/teólogo que resolve vingar a morte de sua amada esposa.

A trama dirigida por Robert Fuest é simples, nove médicos estavam envolvidos em uma cirurgia que, segundo Phibes, matou a mulher. Com um forte espírito de vingança, o maquiavélico protagonista vai eliminando um a um, em uma série de mortes espetacularmente planejadas com a ajuda de sua fiel e bela assistente Vulnávia. O interessante é que os homicídios, apesar de extremamente violentos, são executados de uma forma serena e solene. Enquanto Phibes sorri com os êxitos, surge Vulnávia e o som suave de seu violino. É um diferencial entre a maioria dos filmes de horror, que geralmente fazem de suas trilhas assustadoras uma forma de desesperar ainda mais as seqüências. Aqui o som é harmonioso e bonito, indicando que por trás daquele assassino frio exista um homem verdadeiramente apaixonado.

 

 

De acordo com pragas de Deus a um Faraó egípcio, o violento repertório de Phibes surge épico. É memorável a seqüência em que uma enfermeira é devorada por gafanhotos, mesmo com o hospital completamente cercado pela Scotland Yard. A polícia inglesa, por sinal, dá o tom engraçado ao filme. Os dois atrapalhados detetives não acertam uma, e volta e meia são vítimas de alguma piada carregada de humor tipicamente britânico.

A caracterização de Vincent Price é sensacional, ora regendo a sua bandinha de bonecos mecânicos ou praguejando com a ajuda de uma caixa de som: “nove a mataram, nove morrerão”. Phibes teve o rosto completamente desfigurado em um acidente de carro e por causa disso só conseguia falar com um cabo ligado em seu pescoço. Sua presença elegante e fúnebre dá ainda mais classe aos assassinatos. É impossível não abrir um sorriso quando uma das vítimas, ainda viva, tem praticamente todo o sangue retirado do corpo.

 

 

As mortes artesanais de Phibes fizeram tanto sucesso que no ano seguinte foi feita uma continuação (A Câmara de Horrores de Dr. Phibes), com locações no Egito e crimes ainda mais extraordinários. Em 1973, Price estrelou outro clássico do horror inglês no mesmo estilo. “As Sete Máscaras da Morte” traz um ator frustrado que resolve vingar-se dos críticos com assassinatos brutais baseados na obra de Shakespeare.

É impossível pensar em terror e não lembrar de Vincent Price, assim como é impossível pensar no ator e não lembrar de Dr. Phibes, um cavalheiro a serviço do terror, personagem de crueldade e romantismo em doses homogêneas que fazem deste filme um marco na história do cinema de horror.



 

 
 
     

 

   
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