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O NÃO LANÇAMENTO
EM DVD
por Matheus Trunk
As
Sete Vampiras
Segundo longa de Ivan, “As Sete Vampiras” é o que realmente define os ingredientes do terrir. E sendo também o trabalho em que tudo que o diretor desejava funcionou tão bem que talvez seja, seu melhor trabalho. A história começa bem ao molde dos filmes B americanos com grandes pinceladas de Roger Corman: um grande botânico brasileiro encomenda uma rara planta carnívora, de origem africana. A planta, não só engolirá o biólogo como também transformará sua esposa, Sílvia Rossi (a musa Nicole Puzzi) em vampira. Ela provocará uma série de assassinatos, que preocuparão a polícia. Diga-se de passagem, que o clã policial da trama merece uma atenção especial: temos o gigante dos gigantes Colé Santana (tio do trapalhão Dedé Santana e ator ainda injustiçado, tendo trabalhado em diversas chanchadas) interpretando o inspetor Pacheco mesmo o lendário maestro Benê Nunes, interpretando um chefe de polícia bem ao molde dos filmes noirs americanos. Benê ainda assina a trilha sonora, juntamente com Léo Jaime. A polícia fica totalmente desacreditada com a série de mortes. A vampira viúva encontrará num grande amigo de seu marido, Rogério (John Herbert) como sócio ideal para eles montarem o espetáculo “As Sete Vampiras”, a ser ensaiado na boate de um grande hotel.
E que vampiras ! O elenco feminino não é de se jogar fora: Simone Carvalho, Lucélia Santos, Susana Matos, Alvamar Taddei, Danielle Daumerie e mesmo Tânia Boscoli. Para se deslumbrar melhor ainda com esse elenco feminino, só vendo a genial cena (obviamente citando Hitchcock, diretor preferido de Ivan) em que a musa Simone Carvalho (na época casada com o diretor Cláudio Cunha), no auge da beleza toma banho completamente nua antes de ser morta pela vampira Sílvia. Os crimes continuam, porém, sempre se relacionando principalmente com a boate. As coisas só melhoram quando é contratado, a mando de Rogério um desastrado detetive viciado em quadrinhos. O personagem, talvez seja o melhor do filme, sendo o contrário dos padrões de detetive comum de filmes noirs americanos. Raimundo Marlou é completamente desastrado e medroso. Nuno Leal Maia consegue traçar o personagem de maneira exemplar. O detetive possui ainda uma secretária Maria (Andréa Beltrão), que obviamente também é sua namorada. Ela irá arrumar emprego na boate, para ajudar Raimundo a investigar melhor os crimes. Quanto mais a polícia e o detetive Marlou vão chegando ao verdadeiro assassino, mais o filme cresce. Perfeição de execução, “As Sete Vampiras” tem tantas qualidades, que se torna quase um erro tentarmos aqui dizer todas. Mesmo assim, não condigo tirar da cabeça, todos aqueles atores que mesmo em participações especiais dão um show á parte a fita. Wilson Grey como Fu Manchu, a fantástica Zezé Macedo como uma empregada da boate e mesmo o cantor, ator, humorista e showman Ivon Cury, como o genial Baron Von Pal. Eles são verdadeiros heróis do cinema e da arte brasileira, que somente quando dirigidos por pessoas da inteligência de um Ivan Cardoso, conseguirão mostrar um pouco dos seus grandes talentos. E falando em chanchada na obra do mestre do terrir, nada melhor que citar mais uma vez a grande presença de Colé Santana. Talvez esse papel dele em “As Sete Vampiras” seja o maior papel de Colé na história do cinema brasileiro, nada mal pra um verdadeiro poeta do cinema nacional.
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